Fãs de futebol devem consumir 1 bilhão de copos extras de cerveja durante a Copa do Mundo, em um impulso muito necessário para a indústria cervejeira em dificuldades, que enfrenta inflação de custos, demanda fraca e temores de estar presa em um declínio de longo prazo.
A Copa do Mundo deste ano é uma competição expandida com 48 seleções e 104 partidas, em comparação com os torneios de 64 jogos dos anos anteriores, preparando o cenário para a Copa com maior consumo de bebidas da história.
Para chegar à estimativa de 1 bilhão de pints, equivalentes a um copo de 500ml no Brasil, analistas da Jefferies extrapolaram dados de consumo de cerveja de Copas do Mundo anteriores. As vendas extras equivalem a um aumento de 3% durante o torneio de 39 dias, que a Jefferies anualizou para 0,3%, equivalente a 5,9 milhões de hectolitros, ou 1 bilhão de pints extras.
Analistas esperam que a Copa do Mundo —que será sediada em três grandes mercados cervejeiros: Estados Unidos, Canadá e México— impulsione os volumes de vendas entre 0,2% e 0,3% em 2026.
O analista da Jefferies Ed Mundy disse que “o horário das partidas é o herói desconhecido do consumo de cerveja na Copa do Mundo”, destacando que os jogos envolvendo países da Europa e das Américas foram em grande parte programados para coincidir com os horários de pico de consumo local, entre 17h e 23h. As Américas e a Europa abrigam seleções favoritas, países-sede e, juntas, representam cerca de 55% do volume global de cerveja, acrescentou.
AB InBev, dona de marcas como Corona, Budweiser e Stella Artois, é a que mais deve ganhar com o boom cervejeiro, tanto por seu papel como patrocinadora do torneio quanto por sua forte presença nos países-sede. A Ambev, na América Latina, é filiada da marca.
“É a maior Copa do Mundo de todos os tempos e a expectativa é gigantesca”, disse Marcel Marcondes, diretor de marketing da AB InBev.
O torneio, que começa em 11 de junho, deve proporcionar um impulso significativamente maior para a indústria do que a Copa do Mundo de 2022, realizada no Catar. Após uma decisão de última hora de proibir bebidas alcoólicas nos estádios há quatro anos, a Budweiser anunciou que enviaria toda a sua cerveja não vendida para o país vencedor em uma campanha intitulada “Bring Home the Bud” (Leve a Bud para Casa).
Marcondes disse que, como o consumo de cerveja de cada país dependerá muito do desempenho de sua seleção no torneio, a AB InBev está mantendo flexibilidade para redistribuir estoques rapidamente este ano.
“Teremos contêineres cheios de Budweiser sendo enviados para os países vencedores”, disse ele.
A analista do Morgan Stanley Sarah Simon alertou que, nos casos em que um país for eliminado do torneio antes do esperado, as empresas correm o risco de ficar com excesso de estoque. E quando um país avança inesperadamente para as fases finais, as empresas correm o risco de ficar sem cerveja nesses mercados, acrescentou.
O desafio para as cervejarias, disse Simon, é que elas “não saberão quais seleções vão avançar no momento do envio do estoque”.
Um boom cervejeiro de verão no hemisfério norte pode ajudar a reviver o interesse dos investidores em um setor que caiu em desgraça. Além dos custos crescentes e dos gastos deprimidos dos consumidores, os grupos cervejeiros estão enfrentando um declínio estrutural de longo prazo no consumo de cerveja entre consumidores cada vez mais preocupados com a saúde.
Segundo a provedora de dados IWSR, os volumes globais de vendas de cerveja caíram 1% em 2025, impulsionados pelo consumo fraco em mercados vastos, incluindo Estados Unidos e Brasil.
As cervejarias responderam diversificando para opções sem álcool e com baixo teor alcoólico, ou cervejas “premium”. A Carlsberg migrou para refrigerantes, adquirindo a Britvic, fabricante da J20, enquanto a Heineken tentou promover os benefícios sociais do consumo de cerveja.
A AB InBev apostou mais forte no marketing de eventos, mirando competições esportivas globais, incluindo as Olimpíadas e a Copa do Mundo, em uma tentativa de se beneficiar da resiliente “economia da experiência”.
noticia por : UOL
