É improvável que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, tenha passado o fim de semana cumprindo o que disse em seu primeiro encontro com imprensa na Copa: “Chill and relax”. A sugestão de relaxar e ficar tranquilo não cabe para o dia da estreia do Irã, com pressões do governo do país persa.
Os jogadores chegam ao estádio instruídos a deixar o campo em caso de desrespeito à bandeira do país ou de insultos contra o povo iraniano. Isso inclui antigas bandeiras, com o Sol e o leão, símbolos da Pérsia e adotadas por comunidades que migraram para os Estados Unidos após a revolução de 1979.
Muitos vivem em Los Angeles, na região de Westwood, onde uma comunidade iraniana tornou o local conhecico como Teerangeles, mistura do nome da capital, Teerã, com a cidade da Califórnia.
Infantino jamais admitirá que o melhor para evitar problemas seria o Irã ser eliminado o mais rapidamente possível. Acabaria com os riscos de constrangimentos que pode haver em caso de jogadores ameaçarem se retirar do jogo e da Copa.
O Irã está em seu quinto Mundial, quarto consecutivo, e, ainda que tenha sido eliminado todas as vezes na fase de grupos, teve vitórias nas campanhas recentes, contra Marrocos, em 2018, e País de Gales, em 2022.
O time tem jogadores como Taremi, vice-campeão da Champions League pela Internazionale, há um ano, e atualmente jogador do Olympiacos, da Grécia. Não é um timaço. Pode ganhar jogos e chegar aos confrontos eliminatórios.
ssa informação, combinada à chance de avançar como um dos melhores terceiros colocados e ao fato de seus rivais de chave serem Bélgica, Egito e Nova Zelândia, aumenta a chance de os iranianos permanecerem até pelo menos a segunda fase.
Multiplicaria por quatro o risco de constrangimento com a retirada de campo, porque a hipótese de alguém levar bandeiras com Sol e leão não se resume ao primeiro dia.
É a Copa do Mundo dos problemas inéditos, três países, 104 jogos e, pela primeira vez, o anfitrião em guerra com um dos participantes.
O Iraque disputou a Copa de 1986 enquanto estava em conflito com o Irã, mas os iranianos não se classificaram.
A Guerra das Malvinas terminou no segundo dia da Copa de 1982, com a rendição argentina. Quando se esboça dizer a alguém ligado à Fifa que é inédito o país anfitrião estar em guerra, a resposta é com a ideia de que a França, sede em 1938 e 1998, sempre teve alguma tropa em algum lugar do planeta.
A Guerra da Argélia começou em 1954 e terminou em 1962, noção exata do ineditismo deste caso dos Estados Unidos, mesmo que houvesse tropas americanas no Golfo Pérsico em 1994. Ainda com a lembrança de que a França foi sede às portas da Segunda Guerra Mundial. O planeta estava doente, a guerra ainda não existia.
Hoje o mundo está outra vez enfermo e a guerra está a pleno vapor. Donald Trump precisa que ela acabe o mais rapidamente possível, mas não consegue estancá-la.
Com tudo isso, é justo dizer que, não, Infantino não está relaxado e tranquilo horas antes de o Irã entrar em campo —muito menos com a perspectiva de que a equipe se classifique para a segunda fase.
Está rezando para nada acontecer fora dos planos e que o Irã não se sinta ofendido por manifestações políticas e xenofóbicas.
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noticia por : UOL
