
Quase uma hora depois, já na aproximação de São Paulo, o copiloto voltou a relatar acúmulo de gelo e tentou acionar o sistema. Ao ouvir a tentativa de ligar o airframe, o piloto respondeu: “Essa bosta não tá funcionando, né?”
O relatório descreve que houve alerta de degradação de performance, aumento de velocidade e, em seguida, o alarme de estol. Em menos de um minuto, segundo a PF, a aeronave perdeu sustentação, entrou em estol e depois em parafuso até atingir o solo.
A PF afirma que os pilotos não executaram no momento correto procedimentos previstos pelo fabricante para falha do degelo. O documento aponta que houve cerca de 20 segundos entre o alerta “Increase Speed” e o início do parafuso, intervalo em que ainda haveria possibilidade de intervenção.
A expectativa é de que o inquérito seja divulgado ao público amanhã, em coletiva de imprensa. O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) divulgou o relatório sem apontar culpados, com objetivo de evitar que novos acidentes aconteçam. O papel da PF é fazer a perícia criminal visando eventual responsabilização penal. Os advogados dos familiares acreditam que a polícia deve indiciar algumas pessoas pela queda do avião.
Famílias também planejam uma ação coletiva por danos morais após a conclusão do inquérito. Segundo o advogado Leonardo Amarante, a medida não substitui processos individuais já em andamento e busca responsabilização civil de empresas e pessoas que possam ter contribuído para a tragédia.
noticia por : UOL