Ela defendeu sua experiência jurídica. Zacharia afirmou ter trabalhado com transações jurídicas internacionais e sustentou que sua formação e experiência permitiam que se apresentasse como advogada, embora não tivesse licença para exercer a profissão nos Estados Unidos. Ela também disse que poderia oferecer análises jurídicas, mas não consultoria jurídica. Especialistas questionaram essa interpretação.
A passagem pela China também entrou no debate. Após se formar, em 2011, Zacharia trabalhou no escritório de advocacia Zhong Lun, em Pequim, entre 2011 e 2013, segundo seu perfil profissional. Durante sua primeira coletiva na Casa Branca, ao ser questionada sobre onde havia passado no exame da ordem, respondeu que isso ocorreu quando se mudou para a China. Posteriormente, afirmou que houve um mal-entendido na resposta. Na China, estrangeiros podem prestar determinados serviços de consultoria jurídica, mas não podem obter licença para atuar como advogados locais.
Organizações pediram investigação sobre as credenciais. A Campaign for Accountability solicitou à Ordem dos Advogados da Califórnia que investigasse se Zacharia violou regras ao se apresentar como advogada sem licença. Outra organização, a Democracy Defenders Fund, também pediu apuração sobre suas atividades na Fix California, grupo conservador em que ela trabalhou como conselheira jurídica-geral entre 2024 e 2025. Os pedidos não significam que tenha havido uma conclusão oficial de irregularidade ou uma condenação.
Contexto político
A escolha de uma nova porta-voz ocorreu a poucas semanas das eleições legislativas. A disputa de meio de mandato está prevista para novembro e definirá a composição do Congresso americano. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, Trump buscava uma porta-voz capaz de ampliar a divulgação das realizações de seu governo em um período politicamente importante para os republicanos.
A Casa Branca não apresentou publicamente um motivo único para a demissão. Enquanto uma autoridade confirmou que Zacharia foi dispensada, Trump enfatizou a pressão do cargo e disse que a aconselhou a reconsiderar a permanência. As informações disponíveis não estabelecem que os questionamentos sobre suas credenciais jurídicas tenham sido o motivo oficial ou exclusivo da saída.
noticia por : UOL