O governo Lula vê risco de problemas econômicos, mas vantagens políticas evidentes no tarifaço baixado pelo Donald Trump contra o Brasil.
Integrantes do núcleo duro do governo afirmaram à coluna que a medida devolveu ao presidente o discurso da soberania e da defesa do Pix —temas praticamente consensuais, de fácil entendimento e que não geram oposição.
Um interlocutor que dialoga com Lula com frequência diz que o presidente tem agora um discurso de miss: em plena competição pela faixa, falam coisas com as quais todos concordam —no caso delas, sobre amor, paz e felicidade, por exemplo.
O novo tarifaço criaria também oportunidade de reaproximação com setores econômicos adversos, como o do agro, que terão que dialogar com o governo buscando contornar os problemas que vão enfrentar.
O governo já se dispôs a ajudar os setores atingidos.
O terceiro aspecto favorável é o de que agora Lula terá a oportunidade de fazer uma política fiscal expansionista, de mais crédito e subsídios, justamente para enfrentar os prejuízos que as tarifas de Trump podem gerar.
A possibilidade de a economia degringolar até as eleições presidenciais de outubro é considerada pouco provável.
Há, no entanto, riscos, na avaliação dos mesmos auxiliares de Lula: o de que uma reação descalibrada do Brasil com retaliações tarifárias leve a uma escalada que assuste investidores internacionais.
Se isso ocorrer, pode haver saída de dólares do país, aumento da moeda com reflexos inflacionários —e impacto no cotidiano da população e na popularidade do presidente.
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noticia por : UOL