'Sem peso do ego', Luiza Possi grava disco gospel na Sala São Paulo

Quando anunciou em março deste ano que “É Só o Amor” seria seu álbum de despedida da música secular, Luiza Possi não imaginava que estaria fechando imediatamente as portas para convites, contratos e shows. Ela esperava fazer uma transição suave de carreira, mas viveu “um deserto”.

“Joguei uma pá de cal na minha carreira, mas hoje vejo que era uma renúncia que precisava acontecer”, diz a cantora. “Todo mundo dizia que eu era louca, que eu ia perder tudo que eu construí. Eu já queria cantar para Jesus, mas não tinha coragem”, lembra.

O posicionamento criou vínculo com o público evangélico com o público evangélico. “Se não fosse dessa maneira, eu talvez não teria tanto respeito quanto eu estou tendo e não teria as portas tão abertas quanto eu estou tendo”, conta.

Seu primeiro contato com o evangelho ocorreu em 2023 em um evento para empresários –onde a Bíblia era o pano de fundo das aulas. Passou a ouvir louvores e “foi muito zoada” pelos amigos, mas conta que começou a viver experiências com Deus e experimentar uma “paz diferente”.

Ao lado do esposo, Cris Gomes, se batizou, em 2024. Casada há 8 anos, ela é mãe de Lucca, 7, e Matteo, 4.

“Se você conversasse comigo há anos atrás, eu ia rir da sua cara. De onde eu vim, a possibilidade de isso acontecer [conversão] era nula. Mas para Deus não existe impossível, não existe o óbvio”, afirma.

Na próxima segunda-feira (7), Luiza gravará seu primeiro álbum cristão na Sala São Paulo, com participação da Orquestra e do Coral do Theatro São Pedro.

Serão apresentadas músicas inéditas e autorais, além de releituras de sucessos evangélicos em novos arranjos.

Os ingressos –gratuitos– se esgotaram em minutos, talvez a confirmação que ela precisava receber.

Antes, Luiza ficava tensa e atenta à resposta da plateia nos shows: fazia leitura labial e percebia se alguém reclamava da música ou de sua roupa. Agora diz que a responsabilidade artística ficou mais leve. “A igreja não é um palco, é um altar, não é um show, é uma adoração. Eu tô ali como uma adoradora, e isso tira uma carga muito pesada de ego”, reconhece.

Quando começou a engatinhar no evangelho, procurou Rodolfo Abrantes. O ex-vocalista da banda Raimundos também deixou tudo por Cristo no auge da carreira. “Não quero que você use a minha medida, pois você sempre cantou o amor, não falava palavrão ou incitava brigas”, ouviu do roqueiro à época, quando comentou a possibilidade de continuar cantando no secular.

HATERS

“Se fosse há um tempo atrás, talvez ficaria muito arrasada, nem teria forças para viver, tamanho ódio. Mas eu não liguei. O que eu fiz de medida protetiva de saúde mental e espiritual foi desligar o telefone”.

Além do que ficou no passado, ela diz que também foram sepultados os problemas com álcool em sua casa e os pensamentos de morte.

“A gente fica tentando a vida inteira esconder debaixo do tapete as tentativas que dão errado. Sobreviver de aparência era difícil, pesaroso. Agora eu tenho “a paz que excede todo entendimento”, diz a artista, citando Filipenses 4:7.


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noticia por : UOL

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