Pobre, rico ou classe média? Calculadora mostra sua posição na distribuição da renda no Brasil

Você se considera pobre, rico ou parte da classe média? Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) relativos a 2025 ajudam a responder a essa pergunta.

As estatísticas oficiais foram reunidas pela Folha em uma calculadora que permite ao interessado consultar sua posição na distribuição de renda no Brasil. A ferramenta está disponível abaixo.

Para saber em qual faixa você está, é necessário colocar duas informações na calculadora: a renda total do seu domicílio em valores médios de 2025 e quantas pessoas viviam desse rendimento por mês.

Podem entrar na conta recursos obtidos com o trabalho e outras fontes. As outras fontes investigadas pelo IBGE são as seguintes:

  • aposentadoria e pensão;
  • aluguel e arrendamento;
  • pensão alimentícia, doação e mesada de não morador;
  • programas sociais de transferência de renda do governo federal (como Bolsa Família e BPC), dos estados ou dos municípios;
  • outros rendimentos, como rentabilidade de aplicações financeiras, bolsas de estudo, direitos autorais, exploração de patentes etc.

Com as informações preenchidas, a calculadora aponta qual é sua renda domiciliar per capita e em qual grupo da população você está.

A renda domiciliar per capita soma os recursos obtidos pelos moradores de um lar e divide o dinheiro pelo número de pessoas, incluindo aquelas que não trabalham, como crianças.

Por exemplo: se uma mulher ganha R$ 5.000 por mês e vive com um filho (mãe solo), o rendimento domiciliar por pessoa é de R$ 2.500.

André Salata, coordenador do laboratório de estudos PUCRS Data Social, afirma que a renda per capita é importante para analisar o bem-estar das pessoas.

“O bem-estar depende muito do rendimento do grupo familiar, porque os recursos são divididos na família.”

COMO É A DISTRIBUIÇÃO

Entre os 5% mais pobres da população brasileira, a renda por pessoa foi de até R$ 299 por mês em 2025, conforme os dados do IBGE.

Se a análise considerar uma base mais ampla, dos 30% mais pobres, o rendimento máximo ficou em R$ 906 por pessoa no ano passado.

Na fatia da população que ganhava acima dos 30% mais pobres e abaixo dos 20% mais ricos, ou seja, uma camada intermediária, a renda ia de mais de R$ 906 até R$ 2.958 por pessoa. É o caso hipotético da mãe com o filho citado neste texto (R$ 2.500 por pessoa).

Ainda segundo o IBGE, os 20% mais ricos ganhavam mais de R$ 2.958 por mês por pessoa no ano passado. Trata-se de um valor que pode soar estranho quando se fala em riqueza.

Isso se deve ao fato de o grupo com os maiores rendimentos ser bastante heterogêneo. Assim, especialistas recomendam um olhar mais detalhado para quem está no topo da distribuição.

Quando a análise considera um grupo mais restrito, dos 10% mais ricos, a renda domiciliar per capita sobe a mais de R$ 4.609. Entre os 5% mais ricos, o valor ficou acima de R$ 6.900 em 2025.

Por fim, o 1% mais rico tinha ganho per capita superior a R$ 15.214 por mês no ano passado, conforme o IBGE. É um valor bem distante dos demais grupos.

A análise considera o rendimento bruto. Segundo o instituto, ganhos esporádicos, como aqueles de loterias ou similares, não são captados.

A fonte das informações é um módulo anual da Pnad Contínua divulgado pelo IBGE em 8 de maio. A pesquisa é amostral –construída a partir de entrevistas com uma parcela de informantes representativa da sociedade.

As características do levantamento permitem à Pnad captar bem as informações da renda de fontes como trabalho, aposentadorias e programas sociais, conforme o economista Marcelo Neri, diretor do centro de estudos FGV Social.

A pesquisa, contudo, pode enfrentar dificuldades para apurar ganhos variáveis de capital, como dividendos e aplicações financeiras, que impactam mais as camadas mais ricas, aponta Neri.

Por isso, estudiosos também costumam analisar as informações declaradas no Imposto de Renda na hora de investigar o topo da distribuição.

“Os mortais normais são bem captados pela Pnad. Já os faraós, não”, afirma Neri.

Na pesquisa do IBGE, a desigualdade de renda medida pelo índice de Gini subiu no país em 2025, após atingir a mínima histórica em 2024.

Apesar da elevação, o patamar do ano passado foi o segundo menor já registrado na série histórica, iniciada em 2012.

Conforme o instituto, o rendimento domiciliar per capita cresceu para pobres e ricos em 2025, mas a alta foi mais intensa para quem ganha mais, o que explica a subida da disparidade.

“A desigualdade se mexe pouco no Brasil. Tem muita resistência, apesar dos esforços [para reduzi-la]. Mas a boa notícia é que a renda tem crescido para todos”, diz Neri.

noticia por : UOL

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