“Vamos lá… O Rio, hoje, vive uma crise política e institucional. As eleições de 2018, que, em tese, tinham de ser de arrumação —e eu não falo como derrotado, porque fui— acabaram servindo ao sistema. Ele, o sistema, se travestiu no [ex-juiz] Wilson Witzel. Essa gente toda, a começar pelo Cláudio Castro, era o quinto escalão de uma máfia. Então, foi o quinto escalão da máfia quem assumiu o governo do Rio”, disparou o ex-prefeito.
Educado, sem esconder a luta com o relógio —Paes retornou ao Brasil no mesmo dia, menos de quatro horas depois de sua palestra aos estudantes em Oxford— o ex-prefeito não poupou palavras.
O ponto de partida da análise foi a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, que, na última sexta (15), autorizou uma operação de busca e apreensão contra Castro e outras medidas contra uma série de aliados que, segundo a Polícia Federal, tomaram o Estado para servir aos interesses de um empresário que é o maior sonegador de impostos do país e um colaborador do crime organizado, Ricardo Magro. Nem o Judiciário nem aparelhos de repressão ao crime escaparam da decisão.
“Se você olhar o fio condutor de como chegamos onde estamos, é para ser roteiro de série… A gente saiu do crime do colarinho branco para conexões com o crime organizado. O governador anda de fuzil? Não. O [Rodrigo] Bacelar, ex-presidente da Alerj [Assembleia Legislativa do Rio], anda de fuzil? Não. Mas conversa com quem anda. Então, assim, é uma situação muito crítica.”
Paes é aliado de longa data do presidente Lula, para quem diz que vai fazer campanha à reeleição. “O Lula fez muito pelo Rio”, diz.
Questionado sobre o papel de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no calvário fluminense, o ex-prefeito ameniza o tom, mas não foge da crítica. “O papel do Flávio foi o de ter, no mínimo, emprestado o nome ou a popularidade dos Bolsonaro para eleger ambos (Witzel e Castro) —e ele quer insistir nesse erro.”
noticia por : UOL
