ONU Mulheres ressalta peso invisível da carga mental feminina

“Será que há comida suficiente em casa?”, “As vacinas das crianças estão em dia?”. Esta incessante lista de tarefas domésticas que recaem sobre mulheres tem um nome: carga mental.

Embora o bem-estar de famílias e comunidades dependa desse gerenciamento, a ONU Mulheres alerta que o trabalho invisível continua sendo majoritariamente assumido por elas.

Carga mental no ambiente familiar

Este peso psicológico envolve a antecipação de necessidades, planejamento de rotinas, delegação de funções e garantia de cumprimento de prazos. 

No ambiente familiar, ele recai sobre mães, filhas adultas que amparam familiares idosos e parceiras focadas na gestão do lar.

A disparidade de gênero persiste mesmo quando as mulheres são as principais provedoras financeiras de suas relações.

Segundo o relatório da Organização Internacional do Trabalho, OIT, se essas tarefas fossem recompensadas monetariamente, superariam 40% do Produto Interno Bruto, PIB, de alguns países.

Esse valor ultrapassa setores tradicionais como a indústria manufatureira, comércio e transportes. 

Barreiras no mercado de trabalho 

O desequilíbrio gera barreiras no mercado de trabalho, consolidando a chamada “penalidade da maternidade”. 

Mulheres em idade fértil enfrentam discriminação em processos seletivos e, após terem filhos, registram quedas salariais. 

Em contrapartida, os homens frequentemente recebem bônus de paternidade, sendo beneficiados com aumentos salariais após o nascimento das crianças.

No relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, Ocde, em regiões com conflitos armados, as mulheres e meninas gastam quase quatro vezes mais horas em trabalhos de cuidado não pagos do que os homens.

©Alex Webb/Magnum Photos for FAO
Uma mulher cozinha tortilhas de milho para alimentar sua família

Cuidado paternal

Pesquisas realizadas pela organização Equimundo indicam que nove em cada 10 pais consideram o cuidado dos filhos uma das atividades mais gratificantes de suas vidas.

Contudo, o maior envolvimento esbarra em estigmas sociais e em políticas públicas desiguais. 

Em nível global, a média de licença maternidade é 24,7 semanas, enquanto os pais têm direito a apenas 2,2 semanas, ilustrando a divisão desigual desde os primeiros dias de vida do bebê. 

Investimento em sistemas de cuidado 

A ONU Mulheres defende que os sistemas de cuidado deixem de ser tratados como responsabilidades privadas e passem a receber investimentos públicos. 

Com a iniciativa Transform Care ou Transforme Cuidado a agência apoia projetos que buscam reconfigurar esse cenário, engajando governos, empresas e famílias para incentivar o apoio coletivo.

FONTE : News.UN

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