Um novo projeto, apresentado nesta terça na Feira do Livro em São Paulo, quer estreitar as relações entre bibliotecas escolares e livrarias de rua na cidade, a partir da criação do selo “Escola Amiga do Livro”.
O projeto entende essas instituições como parte de um mesmo ecossistema que pode se comunicar melhor, em um esforço agora fomentado pela entidade SP Livro —tocada, entre outros, por Paulo Werneck, diretor da Associação Quatro Cinco Um.
A SP Livro é uma organização recém-criada que busca servir de elo para pequenas e médias empresas do mercado livreiro paulista, propondo resoluções que sejam benéficas a essa cadeia como um todo.
O novo selo quer articular sobretudo bibliotecas de escolas particulares, livrarias de rua e editoras independentes, estimulando a adoção de boas práticas e reconhecendo entidades educacionais que priorizam a leitura no cerne de seu projeto pedagógico.
Tudo a Ler
Receba no seu email uma seleção com lançamentos, clássicos e curiosidades literárias
Um exemplo é o do Colégio Santa Cruz, na zona oeste, que tem uma biblioteca com acervo de 45 mil títulos ocupando um espaço central do complexo escolar, ampliado para um prédio de três pavimentos em uma reforma supervisionada pela pedagoga Sandra Medrano, que falou no encontro desta terça.
“A biblioteca é parte do currículo de formação dos alunos no colégio”, diz ela. “Fazemos eventos em torno do livro que cumprem o lugar de trazer a literatura não só para crianças, mas também para os adultos.”
A ideia é estimular escolas como essa a compartilhar listas de livros adotados nas aulas com as livrarias da região, para que elas abasteçam seus estoques, também fomentando atividades de alunos, pais e professores nesses espaços e conscientizando sobre questões como bibliodiversidade e os danos da pirataria em PDF.
O projeto quer ainda estimular que as escolas organizem passeios a festivais literários, como a própria Feira do Livro —em 2027, as instituições com selo Escola Amiga do Livro poderão agendar suas visitas ao evento, já marcado para acontecer de 22 a 30 de maio.
São escolas privadas, mas, desde que a Feira ampliou sua duração para nove dias, a organização se empenha para fazer uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação e levar alunos da rede pública para visitar a praça Charles Miller nos dias da semana —que ficam bem mais vazios—, munidos de vouchers para comprar livros.
A secretaria nunca topou fechar esse acordo, mas diz, em nota à coluna, que sempre se manteve aberta ao diálogo com o evento e “inclusive sugeriu ações formativas com os profissionais da Rede Municipal”.
“Com relação à proposta de concessão de vouchers, iniciativas dessa natureza são planejadas com antecedência e vinculadas a ações e eventos que integram o calendário institucional da secretaria. Para o período em questão, a previsão orçamentária está direcionada para a participação dos estudantes na Bienal Internacional do Livro de São Paulo.”
A MENINA SANTA A Relicário vai publicar o novo livro de Lucrecia Martel, provavelmente a cineasta argentina mais influente hoje, chamado “Um Destino Comum: Intervenções Públicas e Conversas”. São reflexões sobre como dialogar com pessoas de forma produtiva, ao mesmo tempo em que se mantém individualidade suficiente para não sucumbir à padronização do mercado. O livro terá tradução de Mariana Sanchez e passa a integrar a coleção Nos.Otras, que já inclui obras de Mariana Enríquez e Lina Meruane.
MEMÓRIA DE MENINA escritora alemã Judith Hermann, que já é traduzida em 35 línguas, vai sair pela primeira vez no Brasil pela Rocco. A estreia da autora experiente por aqui será com seu romance mais recente, “Gostaria de Voltar no Tempo”, em que conta a história do seu avô durante a Segunda Guerra Mundial e reflete sobre as lembranças que ficam e as que se perdem ao longo das gerações.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
noticia por : UOL
