O tema ganhou ainda mais relevância nesta semana. No dia 6 de agosto, a Câmara dos Deputados realizou um seminário sobre reurbanização das favelas, desenvolvimento social, conectividade, inclusão digital e trabalho. A escolha dos temas mostra como infraestrutura urbana, tecnologia, educação e trabalho estão cada vez mais ligados quando discutimos o futuro das periferias brasileiras.
A pesquisa TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) Domicílios 2025 mostra que 86% dos domicílios brasileiros têm acesso à internet. É um avanço importante, mas olhar apenas para esse número pode criar uma falsa sensação de que o problema da inclusão digital está resolvido. Quando analisamos a chamada conectividade significativa, apenas 20% da população está no nível mais alto, enquanto 30% está no nível mais baixo.
A diferença está nas condições em que as pessoas utilizam a internet. Não é a mesma coisa estudar em um computador conectado a uma rede estável de fibra óptica e fazer todas as atividades pelo celular, dependendo de um pacote de dados limitado. A própria pesquisa mostra que 39% dos usuários de internet tiveram seu pacote de dados esgotado nos três meses anteriores. Entre os usuários de planos pré-pagos, esse percentual chega a 54%.
Existe ainda outro dado importante, embora a internet esteja presente na maioria dos domicílios, apenas 32% possuem computador. O smartphone ampliou enormemente o acesso à tecnologia, mas não substitui completamente um computador em atividades como programação, análise de dados, edição audiovisual, design e desenvolvimento de software. Quando discutimos o futuro do trabalho, o dispositivo disponível pode determinar quais oportunidades uma pessoa consegue aproveitar.
E então surge uma nova fronteira, a inteligência artificial.

A TIC Domicílios 2025 encontrou uma diferença expressiva no uso de ferramentas de IA generativa. Entre as pessoas da classe A, o uso chega a 69%. Nas classes D e E, cai para 16%. Entre pessoas com Ensino Superior, chega a 59%, enquanto entre aquelas com Ensino Fundamental fica em 17%.
noticia por : UOL