Menopausa precoce: novas normas podem melhorar qualidade de vida

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Menopausa precoce: novas normas podem melhorar qualidade de vida

Aos 25 anos, a médica e cientista Priya Satalkar-Götz regressava de uma viagem de trabalho quando sentiu os primeiros sintomas da menopausa. A investigadora disse que reconheceu de imediato a origem do desconforto, mas não podia acreditar que estava a enfrentar uma menopausa precoce.

Anos depois, a também responsável pelo Programa Especial da ONU sobre Reprodução Humana na área da governação da investigação reflete sobre o impacto físico e pessoal da menopausa prematura e como novas diretrizes podem transformar os cuidados prestados às futuras gerações de mulheres.

Distúrbios persistentes

Durante anos, Priya sofreu de perturbações persistentes do sono, de uma pele muito seca e frágil, bem como de uma maior vulnerabilidade emocional.

Na ausência de evidências e orientações claras sobre o tratamento da menopausa precoce, ela recorda que foi extremamente difícil tomar uma decisão devidamente informada sobre as opções de tratamento.

Os afrontamentos tornaram-se mais frequentes e o seu ciclo menstrual ficou cada vez mais irregular. Consultou vários médicos, que atribuíram os seus sintomas ao stresse, a mudanças no estilo de vida ou à perda de peso.

Depois de se mudar para a Suíça, a responsável consultou outra ginecologista. Após uma nova ronda de análises, a médica descobriu que Priya estava a atravessar a fase final da menopausa, aos 33 anos.

Unsplash/Adrian Swancar
A pesquisadora conta como, muitas vezes, os sintomas da menopausa são desvalorizados e encarados como uma parte inevitável do envelhecimento.

Sintomas desvalorizados

A menopausa pode afetar a regulação da temperatura, o sono, a pele, os olhos e outras mucosas, bem como o humor, a memória e a função cognitiva.

Os seus efeitos podem surgir gradualmente, manifestando-se através de uma deterioração da saúde, da redução da funcionalidade e de uma menor qualidade de vida.

Priya recorda os distúrbios persistentes do sono que sofreu ao longo de vários anos, causados por afrontamentos, bem como a pele seca e frágil, a maior vulnerabilidade emocional e as dificuldades em recordar informação.

A pesquiadora conta como, muitas vezes, os sintomas da menopausa são desvalorizados e encarados como uma parte inevitável do envelhecimento.

Na opinião dela, uma orientação global sobre a menopausa forneceria uma base fiável para os cuidados de saúde, reconhecendo, ao mesmo tempo, que as populações e as circunstâncias individuais variam.

Uma orientação comum

Priya sublinha que a adoção de uma orientação comprovada pode oferecer aos profissionais de saúde um conjunto de recomendações fiáveis, evitando assim disparidades nas abordagens clínicas.

O acesso à evidência pode ajudar as mulheres a compreender os seus sintomas, a preparar-se para consultas com profissionais de saúde e a formular questões bem fundamentadas sobre os cuidados necessários.

Para os profissionais de saúde, evidências mais sólidas podem melhorar o reconhecimento da menopausa, conferir maior segurança às decisões clínicas e orientar tanto o tratamento como o seguimento a longo prazo.

Cuidados de melhor qualidade durante a menopausa melhorariam a qualidade de vida não só das mulheres, mas também de todos os que as rodeiam, lembra a responsável do programa da ONU. 

Ela sublinha ainda que todas as partes beneficiam quando as mulheres recebem o apoio adequado, incluindo as famílias, os ambientes de trabalho, as comunidades e os sistemas de saúde.

*Adaptado de entrevista publicada pela OMS. 

FONTE : News.UN

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