A Maersk alertou que o impacto do fechamento do estreito de Hormuz será cada vez mais sentido no comércio global nos próximos meses, conforme a preocupação com um possível colapso na demanda do consumidor cresce.
O grupo dinamarquês, considerado o segundo maior no transporte de contêineres do mundo, afirmou que seus custos aumentaram US$ 500 milhões por mês devido às interrupções no estreito, mas que até agora conseguiu repassá-los aos clientes por meio de tarifas de frete mais altas.
Vincent Clerc, CEO da Maersk, disse que permanece cauteloso por causa do “aumento significativo em nossa base de custos” previsto para o 2º trimestre.
Ele disse à Bloomberg TV: “Há muita incerteza quando olhamos mais adiante no ano em relação a quais serão os impactos secundários desta guerra: inflação, uma possível redução na demanda. Existem algumas interrogações sobre como isso eventualmente vai se refletir na economia.”
Suas opiniões são significativas, já que a Maersk é considerada um termômetro do comércio global, transportando um em cada cinco contêineres marítimos.
Os comentários vieram quando a Maersk divulgou resultados do primeiro trimestre acima das expectativas, devido ao efeito limitado da guerra no Irã nos primeiros três meses do ano. O grupo dinamarquês manteve suas projeções financeiras para o ano, incluindo um aumento de 2% a 4% na demanda por contêineres, mas admitiu que os riscos são de queda.
Clerc disse estar preocupado com a possibilidade de um enfraquecimento na demanda do consumidor à medida que os preços mais altos de energia pesarem no bolso.
Folha Mercado
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Se isso acontecer, a Maersk está preparada para ajustar seus cronogramas, forçando seus navios a viajar mais devagar para usar menos combustível, além de outros cortes de custos.
“Isso está em uma escala diferente do que vimos antes, mas a mecânica é bastante semelhante ao que vimos em choques de petróleo anteriores”, acrescentou.
A Maersk reportou receitas em queda de 2%, para US$ 13 bilhões no primeiro trimestre, e lucro operacional em baixa de quase três quartos, para US$ 340 milhões. A empresa manteve sua projeção de lucro operacional anual entre um prejuízo de US$ 1,5 bilhão e um lucro de US$ 1 bilhão.
O grupo já havia alertado anteriormente que novos navios encomendados, principalmente por concorrentes, após o boom pós-pandemia no transporte de contêineres prejudicariam significativamente a rentabilidade este ano.
Clerc acrescentou que o principal impacto de Hormuz não é sobre o comércio, já que apenas cerca de 2% a 3% do volume global de contêineres foi diretamente afetado, mas sobre os efeitos secundários nas economias por meio de preços mais altos do petróleo.
As ações da Maersk caíam 4,5%, para 14.535 coroas dinamarquesas, nas negociações da manhã.
noticia por : UOL
