
Ataque israelense contra Cisjordânia
Jaafar Ashtiyeh / AFP
O Exército de Israel informou, nesta sexta-feira (24), que prepara uma operação militar na Cisjordânia após um confronto que terminou com a morte de dois israelenses e quatro palestinos.
Em nota, as Forças de Defesa de Israel (FDI) disseram que a ação será realizada na região de Tal. Segundo os militares, tropas foram enviadas após relatos de um ataque contra civis israelenses que faziam uma excursão perto do assentamento de Havat Gilad.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
Pouco antes, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que o governo vai acelerar a regularização de assentamentos agrícolas e criar novos assentamentos na Cisjordânia ocupada.
O ministro da Defesa, Israel Katz, também anunciou operações em vilarejos palestinos apontados por Israel como bases de grupos armados.
“O Exército está perseguindo todos os responsáveis pelo ataque”, afirmou o chefe das Forças Armadas, tenente-general Eyal Zamir, que foi até a região.
LEIA TAMBÉM
Comandante do Irã promete matar um militar dos EUA para cada iraniano morto na guerra
Trump diz que, se China e Rússia estivessem fornecendo armas ao Irã, ‘seria muito ruim para eles’
VÍDEO mostra homens armados patrulhando a segunda maior rota de petróleo do Oriente Médio
O comando militar suspendeu as licenças de soldados que atuam na Cisjordânia e reforçou o efetivo na área.
Um jornalista da AFP informou que todos os postos de controle no norte da Cisjordânia foram fechados e que militares foram deslocados para a região.
A violência na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967, aumentou desde o início da guerra na Faixa de Gaza, em outubro de 2023.
Atualmente, mais de 500 mil israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia, onde também moram cerca de 3 milhões de palestinos. Segundo o direito internacional, os assentamentos israelenses no território são considerados ilegais.
Versões diferentes
Em um primeiro momento, o Exército afirmou que civis israelenses foram atacados durante uma excursão. Mais tarde, informou que houve um confronto entre dezenas de israelenses e palestinos.
Segundo um oficial militar, integrantes da equipe de segurança do assentamento e soldados foram até o local, onde houve troca de tiros.
Ainda de acordo com a versão israelense, um palestino tomou a arma de um dos colonos e matou um homem de cerca de 30 anos. O Exército informou depois que um segundo israelense, de 32 anos e integrante da equipe de segurança do assentamento, também morreu.
Já o Ministério da Saúde palestino informou que quatro palestinos morreram na cidade de Tal, vizinha ao assentamento. Outras quatro pessoas ficaram feridas, três delas em estado grave.
O presidente do conselho local de Tal, Walid Zidan, contestou a versão apresentada por Israel. À AFP, ele afirmou que cerca de 20 colonos entraram na cidade palestina antes do início dos confrontos.
“Havia soldados israelenses no local e, junto com os colonos, eles abriram fogo. Foram os colonos que invadiram a aldeia com a intenção de matar, saquear e incendiar propriedades”, disse.
Outras testemunhas relataram uma versão semelhante à AFP. A agência informou que não conseguiu verificar essas alegações de forma independente.
Prisões e novos confrontos
Mais tarde, o Exército israelense informou que prendeu, em um hospital de Nablus, dois homens acusados de participar do episódio.
Segundo um funcionário do hospital, um dos palestinos feridos foi detido junto com o irmão.
Novos confrontos também foram registrados em cidades próximas a Tal.
O Crescente Vermelho Palestino informou que oito pessoas ficaram feridas em Far’ata, várias delas por disparos. Outras duas ficaram feridas na cidade de Sarra após o que a organização descreveu como ataques de colonos.
O presidente do conselho de Far’ata, Abdel Moneim Shaneh, afirmou que colonos acompanhados por forças israelenses atacaram a cidade e incendiaram plantações de oliveiras. A AFP disse que não conseguiu confirmar essas informações de forma independente.
O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, pediu que o Exército responda ao episódio “com mão de ferro”.
source
Fonte: G1