O maestro pernambucano Moacir Santos faria 100 anos em 2026.
Sua trajetória é notável: nascido no sertão do Pajeú, fugiu de casa aos 14 anos, perambulou pelo Nordeste tocando em bandas locais, mudou-se para o Rio de Janeiro e foi professor de nomes da bossa nova, como Nara Leão, Baden Powell e João Donato. Compôs trilhas para ícones do Cinema Novo, como Cacá Diegues, e influenciou uma geração que ajudou a construir os alicerces da música brasileira no século 20.
Artistas que acompanharam seu trabalho e aficionados em música colocam Moacir Santos ao lado de nomes como Villa-Lobos e Tom Jobim no panteão dos grandes musicistas do Brasil. Seu disco mais famoso, “Coisas”, de 1965, é considerado um dos melhores da história do país e ocupa a 23ª no ranking de álbuns nacionais da revista Rolling Stone Brasil.
Para além da influência em sua terra natal, o maestro pernambucano foi aos Estados Unidos, trabalhou com compositores como Henry Mancini, autor do tema de “A Pantera Cor-de-Rosa”, e Lalo Schiffrin, de “Missão Impossível”. Lá, impressionou músicos como Herbie Hancock e chegou a ser comparado com Duke Ellington, a lenda do jazz americano.
Moacir criou um jeito único de tocar, unindo erudição e brasilidade, música popular e conceitos europeus, numa fórmula que mais tarde a bossa nova e o tropicalismo explorariam.
Mas, apesar, de todas essas qualificações, o maestro morreu em 2006 em sua casa em Pasadena, na Califórnia, sem o devido reconhecimento do grande público. Com o passar dos anos, ficou relegado a um circuito cult, pouco conhecido pelo grande público —ainda que algumas iniciativas tenham se esforçado para resgatar sua obra.
É chamado no metiê de “músico dos músicos”.
Até hoje, “Coisas” não está nas plataformas de streaming e tornou-se uma raridade entre colecionadores de vinil. Outros discos de Moacir, gravados no exterior, sequer chegaram ao mercado brasileiro.
Neste vídeo, a Folha mergulha na história de vida do maestro e traz elementos que ajudam a entender sua genialidade, além dos motivos que fizeram com que sua obra acabasse pouco lembrada pela memória musical brasileira.
A produção escuta artistas e estudiosos que acompanharam sua carreira e revisitaram sua trajetória para entender como Moacir Santos criou um universo musical próprio, sistematizou ritmos afro-brasileiros e desenvolveu um estilo rebuscado de tocar, transitando entre a erudição e o popular, a matemática e as sensações.
noticia por : UOL