Disputa pelos votos bolsonaristas marca primeiro turno da eleição no RJ

A disputa pelos votos de bolsonaristas marcou os 45 dias de campanha pelo Governo do Rio de Janeiro.

O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) evitou se associar umbilicalmente ao presidente Lula, seu aliado, a fim de manter um quinhão dos eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL), maioria no estado. O presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Douglas Ruas (PL), por sua vez, abusou da imagem do correligionário e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para se apresentar como representante da direita.

As pesquisas de intenção de voto do Datafolha ao longo da campanha mostraram que Ruas avançou principalmente entre eleitores de Flávio, o que viabilizou seu crescimento constante. Contudo, Paes conseguiu reter uma parcela deste eleitorado, o suficiente para manter a dianteira nos levantamentos.

Nesta sexta-feira (2), Paes se reuniu com prefeitos de municípios da Baixada Fluminense, área de concentração bolsonarista, enquanto Lula participava de uma caminhada no centro da capital.

Já Ruas tinha agendada para este sábado (3) carreata com Flávio Bolsonaro na zona oeste do Rio de Janeiro para encerrar sua campanha.

A campanha do ex-prefeito emulou sua estratégia para a reeleição para a prefeitura, em 2024, quando enfrentou o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL). Ele poupou Bolsonaro de críticas mais contundentes e buscou desvincular a disputa estadual da nacional.

“Por que eu não fico com esse papo deles de Bolsonaro, de Lula? Porque aqui tem um governador que quer tratar do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro precisa ser prioridade. Em 2018, vimos esse roteiro. Wilson Witzel se apresentava como candidato do Bolsonaro e deu no que deu. Cláudio Castro fez a mesmíssima coisa em 2022 e deu no que deu. Usando sempre o discurso nacional”, disse ele no debate da TV Globo.

Ao mesmo tempo, Paes buscou apresentar Ruas como um nome escolhido pelo ex-governador Cláudio Castro (PL), que desistiu de disputar o Senado após ser alvo de duas operações da Polícia Federal. Também destacava a aliança com Rodrigo Bacellar (União), ex-presidente da Alerj preso sob suspeita de vazar informações de uma operação policial contra um ex-deputado ligado ao Comando Vermelho.

Deputado de primeiro mandato, o candidato do PL buscou se apresentar como um nome escolhido por Bolsonaro. Ele apostou também na associação de Paes com Lula para ampliar a rejeição ao ex-prefeito no eleitorado de Flávio.

“Tem gente que recebe o Lula, faz agenda com o Lula e sequer posta na rede social. Tem que assumir. O Eduardo Paes tem o Lula e cisma em esconder”, disse Ruas no debate.

Ao mesmo tempo, o candidato do PL classificava a relação com Castro e Bacellar como profissional, repetindo o mantra: “eu nunca escolhi chefe, sempre escolhi missão”. Ele foi secretário das Cidades na gestão do ex-governador por dois anos e meio.

Os dois polarizaram a disputa, mas assistiram à resiliência nas intenções de voto no ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos). Ele manteve-se na faixa dos 9% nas pesquisas, mesmo com a vulnerabilidade da candidatura em razão do indeferimento de seu registro no TRE (Tribunal Regional Eleitoral).

Na última sexta-feira (2), o ministro Floriano Marques, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), determinou que os votos dados em Garotinho sejam considerados nulos. Como Garotinho permanece na urna eletrônica, ele ainda pode ser escolhido sem que seja indicada a invalidação do voto ao eleitor.

noticia por : UOL

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