Delcy Rodríguez faz discurso ambíguo na ONU, promete 'democracia plena' na Venezuela, mas não dá prazo para novas eleições


Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, discursa na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU, em Nova York.
Eduardo Munoz / Reuters
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quarta-feira (23), durante discurso na Assembleia Geral da ONU, que haverá eleições no país. Apesar da promessa, ela não apresentou uma data para o pleito.
Segundo Delcy, o governo iniciou um diálogo com setores da oposição para estabelecer um processo em condições de igualdade.
“O povo venezuelano, com sua sabedoria ancestral, determinará o momento correto e suas instituições estarão preparadas para garantir esse processo inclusivo e transparente”, afirmou.
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Ela disse que o governo iniciou um diálogo com setores da oposição para preparar um processo eleitoral com condições de participação para diferentes forças políticas. A venezuelana também fez uma ressalva à condução do processo:
“A democracia não se mede pela existência de eleições. A democracia se mede pela qualidade da competição que precede essas eleições”, afirmou Rodríguez. Segundo ela, uma eleição deve ser uma solução para as diferenças políticas, e não gerar novos conflitos.
A presidente interina também afirmou que o governo pretende garantir condições de participação para todas as forças políticas.
Relação com os EUA
Em sua fala, Rodríguez também criticou o que chamou de interferência estrangeira nos assuntos internos do país. Segundo ela, interesses externos ao bem-estar dos venezuelanos influenciaram a vida política da Venezuela.
“Muito se diz sobre a Venezuela. Muitos opinam sobre a Venezuela. Alguns tentam interferir nos assuntos da Venezuela”, afirmou Rodríguez. Segundo ela, interesses externos ao bem comum dos venezuelanos foram impostos ao país e contribuíram para uma crise política que afetou também as relações da Venezuela com outras nações.
Ela fez menções diretas e indiretas aos Estados Unidos. O país foi responsável pela operação militar que prendeu o então presidente Nicolás Maduro e levou Rodríguez ao poder, em janeiro de 2026. Desde então, ela tem sido a principal aliada de Washington em Caracas.
A nova presidente afirmou que a Venezuela viveu em 2026 uma situação de “confrontação agudizada” com o país. Apesar disso, afirmou que a Venezuela busca reconstruir as relações com os EUA com base em “diálogo, negociação e diplomacia”.
Ela agradeceu ao presidente Donald Trump pela disposição de retomar as relações diplomáticas e de cooperação com a Venezuela.
A Venezuela no mundo
A presidente interina também afirmou que o país quer manter relações de cooperação com outras nações, mas sem abrir mão da soberania.
“Venezuela quer respirar livre, exercer seus direitos como nação soberana sem nenhum tipo de intromissão”, disse. Ela pediu ainda que a comunidade internacional apoie as mudanças políticas no país “desde o respeito à autodeterminação” venezuelana.
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Fonte: G1

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