Contra monopólio de TV, Argentina chegou a estatizar transmissão da Copa

“Puseram muito dinheiro nesse programa, que foi também um programa muito populista”, me disse o jornalista italiano Emiliano Guanella, que era correspondente em Buenos Aires nessa época e tem três livros publicados sobre os bastidores do futebol argentino. De acordo com ele, Cristina “buscava atrair popularidade para seu governo, através da transmissão de partidas de futebol e, além disso, queria danificar a empresa ligada ao grupo Clarín, que tinha o monopólio das transmissões, e com o qual a Cristina tinha uma rixa política muito forte”.

Guanella considera que o ponto positivo foi que “realmente, o futebol passou a ser transmitido para todo mundo, pois você não precisava assinar canal nenhum para ver as partidas”. Por outro lado, “foi usado muito dinheiro público para uma coisa que não era tão prioritária quanto saúde e educação, por exemplo”.

Como era de se esperar, “a oposição criticou demais, porque o Estado tinha grande dificuldade de prover serviços básicos, mas estava gastando dinheiro com futebol”, segundo Guanella. Do ponto de vista da Federação Argentina de Futebol, o programa de Cristina foi um grande negócio, pois os cartolas passaram a ter “um comprador certo e garantido para todos os jogos, e não apenas para os de maior audiência”.

Ainda dois anos antes de o programa ser encerrado, em 2014, uma deputada opositora chamada Graciela Ocaña apresentou uma denúncia formal contra os envolvidos na iniciativa, dizendo que recursos bilionários acabaram sendo desviados por atravessadores, sem nunca chegar às mãos dos clubes argentinos.

Em 2025, a Justiça local absolveu a maioria dos envolvidos, alegando principalmente falhas técnicas na coleta e da produção de provas. Apesar das absolvições penais, a associação equivalente à CBF local teve de devolver US$ 2 milhões aos cofres públicos, e os direitos de transmissão voltaram a ser disputados pelas emissoras privadas.

noticia por : UOL

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