Atrás da reeleição, Lula “esquece” causa LGBT e irrita ativistas

A esquerda brasileira se acostumou a reivindicar para si o posto de principal defensora dos direitos humanos, das minorias e das chamadas pautas identitárias. É um discurso repetido à exaustão: quando o assunto é população LGBT, a esquerda se apresenta como a força política encarregada de proteger direitos, ampliar garantias e combater qualquer forma de discriminação. 

Mas há uma curiosa mudança de tom justamente no programa eleitoral de um dos nomes mais importantes da própria esquerda brasileira. Em 2022, ao tentar voltar à Presidência após um período preso, Luiz Inácio Lula da Silva dedicou um trecho específico de seu programa à população LGBT. Agora, esse grupo até aparece na sua nova lista de promessas, mas a agenda perdeu força e foi bastante esvaziada, o que gerou críticas internas no movimento. 

Sites da esquerda e ligados ao LGBT notaram essa guinada de direção. A Agência Diadorim, formada por jornalistas focados nesse público, identificou a mudança nos programas de governo do candidato petista e reconheceu que o que antes era uma prioridade agora não passa de mais uma entre tantas promessas. 

Foi assim também com o site Observatório G, portal de notícias voltado para a comunidade LGBT brasileira. Em um texto sobre o programa de governo de Lula, o autor reclama da falta de citações específicas e aponta que a sigla da comunidade aparece apenas em poucos pontos do documento e “de forma generalizada”.