Antonio Tabet mudou de carreira, mas continua fazendo pegadinhas

Antonio Tabet passou boa parte da carreira fazendo humor justamente onde muita gente recomendaria cautela. Nos tempos do Kibe Loco, ainda nos primórdios da internet brasileira, o comediante ganhou notoriedade com montagens, provocações e brincadeiras que colocavam políticos, celebridades e até veículos de imprensa na mira. 

Depois, como um dos criadores do Porta dos Fundos, ajudou a transformar a sátira religiosa em uma das marcas do grupo, com vídeos que fizeram de Jesus, Maria, Deus e episódios bíblicos matéria-prima para um humor de gosto no mínimo duvidoso — e provocaram reações de grupos católicos e evangélicos. 

É por isso que uma publicação recente de Tabet, em setembro de 2026, chamou a atenção. Em meio à falsa informação de que Flávio Bolsonaro pretenderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, o humorista recorreu justamente à defesa da imagem da santa para atacar a família Bolsonaro. A postagem acabou impulsionando uma disputa judicial sobre a retirada do ar de conteúdos relacionados ao episódio. 

A contradição fica explícita nesse episódio. O homem que participou de sátiras pesadas contra figuras centrais do cristianismo, ora retratando Jesus como homossexual namorado de Lúcifer, ora retratando Maria como uma adúltera desbocada, agora invoca Nossa Senhora em uma briga política. Nada era sagrado para os especiais do Porta dos Fundos, do qual Tabet é um dos fundadores. Agora, ele pede respeito à imagem da mãe de Jesus.