É sintomático observar a ginástica mental e o silêncio daqueles que passam os dias em apps de mensagens e nas redes pedindo a intervenção do presidente norte-americano Donald Trump no Brasil, sob o falso pretexto de “combater o terrorismo” ou defender a liberdade.
Quando o terrorismo aparece, com direito a fotos de Hitler em perfis de aplicativos, planejamento de bombas em Brasília e intenção explícita de assassinar lideranças políticas, essa mesma turma olha para o outro lado. Fingem não ver que o ovo da serpente foi chocado no mesmo ecossistema de radicalização, desinformação e antipolítica que eles alimentam diariamente. Ou seja, no momento em que células extremistas reais planejam um atentado a bomba contra o coração da República, a indignação evapora.
A sociedade não pode minimizar ou normalizar esse tipo de conduta. O extremismo violentamente alimentado no meio digital ataca a essência do pluralismo e da convivência democrática. Mas é exatamente isso o que vem acontecendo.
Ao detonar bombas na Praça dos Três Poderes, em Brasília, e depois se explodir na frente do Supremo Tribunal Federal, em 13 de novembro de 2024, Francisco Wanderley Luiz, vulgo “Tiu França”, um chaveiro catarinense, candidato derrotado à Câmara dos Vereadores de Rio do Sul (SC) pelo PL, mostrou o que acontece quando discursos de ódio fluem livremente pelas redes.
Em 29 de dezembro do mesmo ano, o corretor de imóveis Lucas Ribeiro Leitão, de Fortaleza, foi preso após ser detido a caminho de Brasília por equipes da Divisão de Proteção e Combate ao Extremismo Violento da Polícia Civil do DF. Ele confessou que planejava um ataque à capital federal. E, um dia antes, o advogado Fabrízio Domingues Ferreira ameaçou explodir as sedes da Polícia Militar e da Polícia Federal no Distrito Federal, e disse que já estaria com as bombas. A PM não encontrou explosivos com ele e apontou que estava em surto psicótico.
Em fevereiro de 2025, um eletricista e mecânico em Samambaia (DF) tentou invadir o prédio do Supremo Tribunal Federal, proferindo ameaças contra ministros da corte. Investigação da Polícia Civil indicou que ele “planejava ações extremistas” e, em sua casa, foi encontrado material para uma bomba.
noticia por : UOL