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CNBB parabeniza Lula, diz que é preciso pacificar o país e faz aceno antiaborto

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CNBB parabeniza Lula, diz que é preciso pacificar o país e faz aceno antiaborto

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) publicou uma carta nesta segunda-feira (26) em que parabeniza o presidente Lula (PT) e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), pela reeleição.

No texto, a entidade diz que a eleição acabou e agora é preciso “reconstruir os caminhos do diálogo” e não permitir que a “polarização que atravessou a sociedade” determine “o horizonte do próximo período de governo”.

“O Brasil necessita de gestos concretos de pacificação, de respeito às diferenças e de valorização das instituições”, diz a carta, assinada por seu presidente, o cardeal dom Jaime Spengler, e três outros membros da cúpula da entidade.

Eles acrescentam que isso não significa “silenciar as divergências”, mas “reconhecer que todos os brasileiros, independentemente de suas escolhas eleitorais, pertencem à mesma comunidade nacional e merecem igual consideração por parte daqueles que exercem a autoridade públicas”.

A entidade disse ainda acredita “que a dignidade da pessoa humana, a destinação universal dos bens, a solidariedade, a subsidiariedade e o bem comum devem orientar as decisões políticas e econômicas”.

Antes disso, também nesta segunda-feira, a CNBB publicou uma outra mensagem em que fez uma saudação, sem nenhuma citação nomital, a todos os demais representantes eleitos em 2026. Essa mensagem também faz referência às tensões que marcaram o período eleitoral e pede que os representantes escolhidos contribuam para fortalecer a convivência democrática, rejeitando “a violência, a intolerância, a desinformação e toda forma de discriminação”.

“A pluralidade de ideias, própria da democracia, não deve impedir a busca de convergências em torno daquilo que é essencial para a vida e a dignidade do povo brasileiro.”

A CNBB elenca como desafios do país a superação da pobreza e da fome, a redução das desigualdades, a promoção do trabalho digno, o acesso à saúde, à educação e à moradia, a segurança pública e a proteção ambiental. Em passagem que deve agradar ao público conservador, fala em “defesa incondicional da vida e da dignidade humana, desde a concepção até seu fim natural”, numa previsível postura rígida contra o aborto.

A entidade afirma que o pleito, mais do que uma conquista política, é uma responsabilidade diante de toda a população, inclusive daqueles que votaram em outros candidatos. A CNBB diz esperar que os mandatos sejam conduzidos com “espírito democrático, integridade, transparência, diálogo, respeito às instituições e compromisso com a dignidade de cada pessoa humana”.

“O voto expressa a confiança depositada pelos cidadãos naqueles que recebem a missão de representá-los e de servir ao interesse público.”

Também cobra dos futuros ocupantes de cargos públicos compromisso com a democracia, a redução das desigualdades e a dignidade humana, retórica que costuma repetir em seus comunicados. A manifestação ocorre após uma campanha marcada por atritos entre bispos da CNBB e Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula.

“Em uma sociedade marcada por profundas diferenças e por tensões que se intensificaram durante o período eleitoral, desejamos que os representantes escolhidos pelo povo contribuam para fortalecer a convivência democrática, rejeitando a violência, a intolerância, a desinformação e toda forma de discriminação”, diz o trecho.

As cartas sucedem divergências públicas entre a CNBB e Flávio durante a campanha. Em setembro, o senador acusou integrantes da entidade de ajudar o PT a disseminar uma notícia falsa segundo a qual ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

A CNBB negou ter participado de algo assim e afirmou repudiar informações falsas, independentemente de sua origem. A entidade também ressaltou que não integra estruturas político-partidárias.

Sem citar nome de candidatos, a CNBB publicou a três dias do segundo turno uma outra carta para defendendo a Constituição e o respeito ao resultado das urnas, além de pedir a intercessão de Nossa Senhora, no que foi lido como manifestação contrária a Flávio —não só pelo episódio envolvendo Aparecida, mas também porque, após vencer o primeiro turno, ele declarou que poderia mudar a Constituição.

Também circulou uma carta atribuída a um grupo de bispos que orienta a não escolher o presidenciável do PL nas urnas, essa, sim, um ataque nominal à sua candidatura.

noticia por : UOL

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