A cantora islandesa Laufey cantou a música “Perdido de Amor”, de Luiz Bonfá, em português para o público presente no palco Sunset, nesta segunda-feira (7), durante o Rock in Rio.
Em entrevista à Folha momentos antes de subir ao palco, ela disse que se sentia nervosa. “Vou cantar uma música em português —essa é a minha grande surpresa— e estou com muito medo”, disse. “Quer dizer, eu sinto que tenho que fazer isso. É a minha carta de amor para o Brasil”.
“Eu quero cantar uma música em português porque busco muita inspiração na música brasileira e queria encontrar uma forma de mostrar que, além da música, aprender uma canção na língua de alguém é uma linguagem de amor por si só”, disse.
A decisão foi bem recebida e entendida pelos presentes no show.
Laufey é uma artista que tem conquistado projeção no ambiente digital, descoberta e ouvida por jovens. Esse público redescobre o jazz, a bossa nova e a orquestra, como ela mesma diz.
“Vivemos neste ambiente de ritmo muito acelerado agora, onde tudo é tão acessível para nós e as coisas estão parecendo muito… não sei, acho que às vezes podem parecer um pouco falsas. Com o surgimento da IA e tudo isso, parece que todos nós ansiamos por algo que pareça muito real”, afirmou.
Para ela, o jazz e outros estilos musicais precisam de domínio e capacidade que máquinas não podem expressar.
“O jazz e esses estilos são todos estilos que você realmente têm que dominar em um instrumento de verdade, e leva anos para aprender. Então, não é algo que um computador possa simplesmente copiar. E acho que também a experiência de ir ver bossa nova ao vivo, jazz ou música de orquestra ao vivo. Você simplesmente não pode estar no telefone. É algo que faz você se sentir presente de uma forma que todos nós acabamos perdendo”.
A cantora tem shows marcados também em São Paulo, nesta quarta-feira (9), onde pretende trazer uma apresentação mais precisa com sua turnê.
“Estou muito animada. Acho que será muito animado. Preparei um set especial para hoje que é um pouco diferente do show da turnê. Então, São Paulo será um pouco diferente, será mais como todos os outros shows da minha turnê”, disse.
Com um vestido vermelho longo e um sapato preto, a cantora trouxe seu repertório marcado de bossa nova com jazz de dois tempos, a presença significativa do teclado, da bateria e do baixo. Entre as canções, estavam sucessos, como “From the Start”, “Falling Behind” e “Fragile”.
A voz grave marcante deixou o público vidrado na apresentação repleta de qualidade instrumental. O canto com traços líricos é marca da cantora.
A mini orquestra tinha violoncelo, teclado bateria, violão. A cantora chegou a arriscar passos de samba, fazendo a multidão celebrar a dança.
“Eu tirei muita inspiração [da música brasileira] e resultou em tanta beleza na minha carreira. Pessoalmente, me ajudou em alguns momentos muito difíceis”, afirmou.
O público que não conhecia a cantora, mas acompanhava a apresentação de outros pontos da área do palco parecia impressionado com a versatilidade da artista, que tocou violoncelo, teclado e violão.
A cantora usou uma faixa como se fosse de rainha de bateria de escola de samba escrita “Rio de Janeiro“, para simbolizar a estreia na cidade.
O jazz e o canto de Laufey deixaram a atmosfera mais tranquila, mais apreciativa, com o público de olhos grudados na apresentação da multi-instrumentista islandesa.
noticia por : UOL