Florêncio analisou que, do ponto de vista dos EUA, a medida deve ser lida dentro de uma disputa com a China pelo poder global, com o resgate da “Doutrina Monroe” — que busca a imposição de uma zona de influência — na América Latina. Segundo ele, isso ajuda a explicar uma postura mais agressiva em relação ao Brasil.
Do ponto de vista dos Estados Unidos, eu vejo essa crise como sendo muito ancorada nessa rivalidade Estados Unidos-China, que tem como repercussão na nossa região.
Sérgio Florêncio
Do lado brasileiro, o diplomata avaliou que a tensão ganha contornos de política interna e pode influenciar na eleição para presidente, que opõe Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), aliado do governo de Donald Trump. Ele defendeu que o Itamaraty mantenha o tema no campo diplomático.
Do ponto de vista brasileiro, essa crise tem uma conotação óbvia, inevitável, que é uma conotação político-eleitoral. Acho fundamental que o Brasil, que o Itamaraty, preserve seu espaço de atuação diplomática e preserve essa crise no âmbito diplomático.
Sérgio Florêncio
O colunista Josias de Souza afirmou que o Itamaraty tenta conter hostilidades, mas lida com líderes imprevisíveis, o que aumenta a pressão por respostas “um tom acima”. Ele citou, como exemplo, atritos recentes com o presidente da Argentina, Javier Milei, também aliado de Trump.
O Itamaraty sempre tem realizado um esforço sobre-humano para manter essas hostilidades na esfera diplomática. Mas estamos lidando hoje com personagens muito imprevisíveis. O Trump também é muito imprevisível. Ele vai esticando a corda, como a exigir do governo brasileiro sempre uma resposta um tom acima.
Josias de Souza
noticia por : UOL