Mortes: Primeira-dama do Rio de Janeiro por 12 anos, era encantadora de animais

Ao visitar uma amiga, Mariangeles Maia estava sentada na varanda da casa quando uma pomba branca entrou voando e pousou em seu braço. Depois de alimentada, ali mesmo, a ave foi embora. Esse episódio ilustra o magnetismo que ela tinha com os animais. De qualquer espécie.

Em sua casa, no Rio de Janeiro, chegou a ter um mini zoológico, com galinhas, galos, pavões, corujas, coelhos… Todos cuidados por ela mesma. Esse amor pelos animais influenciou seu marido, Cesar Maia, 80, que foi prefeito do Rio por três mandatos (1993-1996; 2001-2004 e 2005-2008) e atualmente é vereador da cidade pelo PSD.

Em 2001, ele criou a Secretaria Especial de Proteção e Defesa dos Animais, a primeira do Brasil voltada exclusivamente para a causa animal.

Nos seus 12 anos como primeira-dama, Mariangeles comandou as obras sociais da cidade, implantando programas como as Cozinhas Comunitárias, as Casas de Convivência para Idosos e as Casas de Capacitação, além de se tornar referência na defesa dos animais e do meio ambiente. Apesar de todas essas tarefas, ela atuava de forma discreta.

“Ela era amante da natureza e dos animais, uma encantadora dos animais, que se apaixonavam por ela. Ela era quase uma ativista em relação a isso, mas nunca quis aparecer, nunca quis virar estrela de nada, virar o foco”, diz a filha, Daniela Maia, 55, atual secretária de turismo do Rio, que é irmã gêmea de Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Mariangeles nasceu em Santiago, no Chile, em 25 de agosto de 1949, caçula das quatro filhas de Maria Haydee Pizarro e José Manoel Ibarra.

Ela conheceu Cesar Maia em 1969, quando ele estava exilado em Santiago devido à ditadura militar no Brasil. Eles foram apresentados em uma festa pelo namorado de uma das irmãs dela, que conhecia o brasileiro do futebol de praia.

“No dia seguinte, os quatro viajaram para o deserto do Atacama de carona em um caminhão. Meus pais começaram a namorar na viagem e, depois de 15 dias, meu pai a pediu em casamento e ela aceitou, aos 19 anos. Um ano depois nós nascemos”, conta Daniela.

Em 1973, antes de Augusto Pinochet dar um golpe de Estado no Chile e instaurar uma ditadura, a família saiu do país com destino a Lisboa, em Portugal. Algum tempo depois, conta Daniela, seu pai não aguentou mais o exílio e preferiu se entregar ao governo militar brasileiro. Ele ficou oito meses preso, deixando Mariangeles cuidando dos gêmeos, com a ajuda da família do marido.

Nos anos seguintes, ela conseguiu trazer as irmãs para o Brasil, que viam nela o esteio da família.

“Ela foi a mãe de todas as irmãs e a mãe da mãe dela. Realmente, era uma pessoa materna, cuidadora, agregadora. As irmãs estão dilaceradas. Era uma mulher com muita força, que uniu toda essa família”, diz Daniela.

Mariangeles Ibarra Maia estava internada desde o dia 26 de agosto na Clínica São Vicente, na Gávea, no Rio, tratando de um AVC hemorrágico. Ela morreu no dia 5 de setembro, aos 76 anos, 56 deles casada com Cesar Maia.

Deixa o marido, os filhos Daniela e Rodrigo, e os netos Ana Luiza, Maria Beatriz, Joaquim, Bettina, Cesar, Maria Antonia, Rodrigo e Felipe.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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noticia por : UOL

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