Pouco antes de falar aos jornalistas, como estava previsto na programação do Palácio do Planalto, após a cúpula, Lula publicou uma nota à imprensa e fez uma postagem no “X”, o antigo Twitter. A resposta oficial saiu em menos de uma hora.
“A defesa da democracia no Brasil é um tema que compete aos brasileiros. Somos um país soberano. Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja. Possuímos instituições sólidas e independentes. Ninguém está acima da lei. Sobretudo, os que atentam contra a liberdade e o estado de direito”, diz o documento.
Minutos depois, na entrevista, atacou: “Não vou comentar esse coisa do Trump e Bolsonaro. Tenho coisa mais importante para comentar do que isso. Esse país tem lei, regra e um dono chamado povo brasileiro. Portanto, deem palpite na sua própria vida”, disparou.
Para auxiliares do presidente, a reação de Trump é a confirmação da relevância do Brics no atual contexto geopolítico, raciocínio que o presidente reverberou aos jornalistas, enquanto disse que o grupo em si não deu bola para a ameaça de nova tarifa, pois ninguém havia tocado neste assunto durante a sessão de líderes da cúpula na manhã desta segunda-feira.
Mas desafiador, um Lula afiado disse ainda que o Brics é uma “metamorfose ambulante”, em referência à música de Raul Seixas. “Não é uma coisa pronta. É criança em crescimento”, completou.
Ele defendeu que a relação comercial do grupo não passe pelo dólar. “Ninguém determinou que o dólar é a moeda-padrão. Temos toda a responsabilidade de fazer isso com muito cuidado e tem que ser discutido pelos Bancos Centrais. Mas é uma coisa que não tem volta. Vai acontecer aos poucos até que seja consolidada”, disse o presidente ao se referir a um tema que não consta da declaração do Brics. O documento propõe iniciativas de facilitação de operações entre os países com moedas locais, o que ainda está em fase bastante inicial.
noticia por : UOL
