POLÍTICA

Futuro do mercado regulado de carbono depende do próximo presidente

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Futuro do mercado regulado de carbono depende do próximo presidente


São Paulo


O próximo presidente do Brasil terá a tarefa de implementar o mercado regulado de carbono, que deve se tornar uma das principais políticas para reduzir as emissões industriais de gases do efeito estufa a partir de 2027.

Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se enfrentarão no segundo turno das eleições de 2026, neste domingo (25), dedicam poucas linhas de suas propostas de governo ao tema.

Imagem aérea mostra uma estrada de terra que divide uma floresta densa e verde à esquerda de uma área desmatada e seca à direita, com poucas árvores isoladas e solo exposto.

Floresta e área desmatada em Marabá (PA)

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Amanda Perobelli – 11.set.25/Reuters

O atual presidente cita o SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões), nome oficial do mercado de carbono brasileiro, no plano enviado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Lula sancionou a lei que criou o sistema em dezembro de 2024.

“Avançaremos em uma regulamentação do SBCE, aprovado neste mandato, articulada com objetivos da Nova Indústria Brasil”, afirma o documento do petista. A Nova Indústria Brasil é uma política voltada à reindustrialização do país.

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A proposta de Flávio não cita o nome do sistema de comércio de emissões. “Vamos consolidar o mercado regulado de carbono com segurança jurídica, posicionando o Brasil como fornecedor global de ativos ambientais”, diz o documento.

Em outro trecho, o candidato afirma que vai fortalecer e ampliar o RenovaBio, política nacional para expandir a produção de biocombustíveis, “permitindo que o Brasil venda créditos de carbono ao mundo”.

A Folha procurou as campanhas e pediu detalhamentos das propostas. A equipe de Flávio não respondeu até a publicação desta reportagem. A de Lula disse que, “se reeleito, o presidente vai concluir a implementação do SBCE prevista na lei, que avança em etapas.”

A campanha do petista afirmou ainda que o atual presidente vai criar um órgão gestor permanente para o setor, hoje supervisionado de forma temporária pela Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono, ligada ao Ministério da Fazenda.

Executivos do ramo dizem estar preocupados com a falta de profundidade nos planos de governo de ambos os candidatos. A segurança jurídica para investidores e o cronograma do SBCE estão entre os pontos que mais despertam a atenção dos líderes das empresas.

Existe o temor de atrasos na implementação do sistema tanto em um governo Lula 4 como em uma gestão Flávio.

Alguns CEOs também se preocupam com o andamento dos trabalhos no atual Ministério da Fazenda, que busca finalizar as principais regras ainda neste ano. A análise é que a própria corrida eleitoral atrapalha a regulamentação.

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Em nota, a Fazenda diz que a eleição não interfere no processo e que a secretaria extraordinária “segue o programa de trabalho estabelecido desde o início de sua atuação, mantendo e acrescentando avanços de implementação em relação ao planejamento”.

Thiago Picolo, CEO da Re.green, uma das maiores empresas brasileiras de reflorestamento com créditos de carbono, afirma esperar que o assunto supere ideologias. Para o executivo, avanços em financiamento ao mercado, concessões florestais e regulamentação deveriam permanecer.

“Obviamente, se houver uma continuidade do governo, a princípio [o que está sendo feito] tem continuidade. Se houver uma mudança de governo, a princípio tem descontinuidade. Mas é uma agenda que não me parece partidária, é uma agenda de desenvolvimento de um setor econômico no qual o Brasil tem vantagens competitivas enormes”, afirma.

A Fazenda diz ainda que o mercado de carbono é uma política de Estado, com implementação gradual ao longo de diferentes governos. “O trabalho atual busca justamente deixar estabelecidas as bases legais, institucionais e técnicas para que as próximas fases avancem com segurança jurídica, previsibilidade e integridade”.

O SBCE exigirá relatórios de emissões das empresas que geram mais de 10 mil toneladas anuais de CO2e (dióxido de carbono equivalente), a medida padrão dos gases do efeito estufa.

Companhias acima de 25 mil toneladas anuais de CO2e terão de cumprir limites de emissões, que deverão se tornar menores a cada ano. Se essas empresas emitirem mais carbono do que o autorizado, elas terão de compensar a poluição comprando créditos de outras.

O governo Lula propôs um cronograma de três fases para a implementação do SBCE, que deverá abranger 17 setores da economia.

A primeira etapa deve começar em 2027, com obrigações para as indústrias de papel e celulose, ferro e aço em usinas integradas (que fazem todas as etapas da produção), cimento, alumínio primário, exploração e produção de petróleo e gás natural, refino de petróleo e transporte aéreo.

O início da segunda etapa está previsto para ocorrer até 2029, quando devem entrar os setores de mineração, alumínio reciclado, ferro e aço em usinas semi-integradas, elétrico, vidro, cerâmica, alimentos e bebidas, indústria química, resíduos sólidos e tratamento de esgoto.

Por fim, a terceira etapa está prevista para começar em 2031, já fora do próximo mandato presidencial. Essa fase deve abranger os transportes rodoviário, ferroviário e aquaviário.

noticia por : UOL

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