Paris
| Reuters
O presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, espera que os formuladores de políticas europeus criem as condições necessárias para garantir o sucesso da reestruturação da montadora alemã, afirmou ele neste domingo (11), em meio aos esforços de Bruxelas para proteger a indústria de concorrentes chineses de baixo custo.
Em um evento intitulado “Pela Europa“, na véspera do Salão do Automóvel de Paris, Blume disse que a Volkswagen estava trabalhando para reduzir a complexidade em toda a empresa, cujas marcas vão da generalista VW a grifes de luxo como Porsche e Lamborghini, no que chamou de “o maior programa de transformação de nossa história”.

O presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume
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Kai Pfaffenbach – 8.set.25/Reuters
“Essa é uma responsabilidade compartilhada: o setor empresarial precisa se tornar mais competitivo e criar oportunidades atraentes, enquanto os formuladores de políticas devem estabelecer as condições adequadas”, afirmou.
O Salão do Automóvel de Paris ocorre em um momento crítico para a maior montadora da Europa, que passa por uma grande reestruturação e corre para atualizar sua linha de veículos elétricos para o mercado de massa, à medida que concorrentes chineses avançam rapidamente na Europa.
Castigadas por uma guerra de preços dos veículos elétricos e pela queda nas vendas no mercado interno, as montadoras chinesas estão se expandindo de forma agressiva na Europa.
Em seu discurso, Blume apoiou as propostas de regras de “Fabricado na Europa” para incentivar a produção local e saudou um acordo entre a União Europeia e a China que poderia reduzir em mais da metade as importações chinesas de veículos híbridos plug-in pelo bloco.
“Quem vende aqui deve competir em condições semelhantes e também gerar empregos e valor aqui na Europa”, disse Blume no evento, que contou com a presença do ministro da Indústria da França, Sebastien Martin.
Enquanto enfrenta dificuldades para implementar amplos cortes de empregos e ameaça fechar até quatro fábricas na Alemanha, Blume também está sob pressão dos investidores para provar que sua estratégia de recuperação vai além do enxugamento e promove avanços no desenvolvimento de produtos e softwares.
Uma linha de veículos elétricos acessíveis das marcas de grande volume da Volkswagen, incluindo VW, a espanhola Cupra e a tcheca Skoda, será apresentada no evento.
A Volkswagen também fará a estreia de seu novo SUV elétrico ID. Tiguan.
A Volkswagen é, de longe, a montadora líder em vendas na Europa, com participação de mercado estável de aproximadamente um quarto ao longo da última década, mesmo com fabricantes chineses como BYD e Leapmotor conquistando espaço.
Ainda assim, a Volkswagen sente a pressão. Seu presidente-executivo está entre os líderes da indústria automobilística alemã que defendem uma postura mais protecionista da União Europeia, à medida que o receio de retaliação por parte de Pequim dá lugar à preocupação de que a concorrência brutal na China tenha chegado à Europa.
Gregor Williams, analista do Rhodium Group, afirmou: “A indústria passou a demonstrar muito mais preocupação com o desafio competitivo que está surgindo na China”.
A retração do mercado automobilístico doméstico chinês está aumentando a pressão para exportar, disse Williams.
“Perder receita é uma coisa”, acrescentou. “Mas, se a China também conseguir exportar a guerra de preços, o mercado europeu poderá se tornar muito pouco rentável”.
noticia por : UOL