Por que o acordo caiu: Segundo Carney, os negociadores americanos incluíram, na reta final, exigências que o Canadá considerou inaceitáveis — entre elas, excluir caminhões médios e pesados (como os fabricados nas plantas da Ford em Oakville e da GM em Oshawa) da redução tarifária prevista para veículos, além de cláusulas que limitariam a capacidade canadense de fechar acordos comerciais com outros países e que, segundo autoridades canadenses, ameaçariam políticas de proteção à cultura e à língua francesa. Já o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, atribuiu o fracasso a “novas exigências e recuos” do lado canadense, e disse que não há novas conversas previstas.
O impacto: As novas tarifas afetam cerca de 5% das exportações canadenses aos EUA — proporção que analistas consideram limitada para a economia americana, mas capaz de golpear duramente setores específicos, como madeira, alumínio e eletrônicos, com risco de perda de empregos. O RBC (Royal Bank of Canada) estima um impacto de 0,4% no PIB canadense; a Capital Economics, de 0,6%. Do lado americano, o aumento da tarifa média sobre produtos canadenses deve ir de cerca de 5,3% para 7,6%, segundo o Yale Budget Lab.
Contexto político: A ruptura ocorre em meio à revisão do acordo comercial entre EUA, México e Canadá (o USMCA, sucessor do Nafta), que Washington já sinalizou não querer renovar nos termos atuais. A relação entre os dois países já vinha desgastada por comentários repetidos do presidente Donald Trump sobre transformar o Canadá no “51º estado” americano — fala que gerou indignação popular no país vizinho e alimentou uma petição, com quase 248 mil assinaturas, pedindo a expulsão do embaixador americano em Ottawa.
Lideranças de diferentes partidos e províncias canadenses, incluindo a oposição conservadora, fecharam apoio à decisão de Carney de não assinar o acordo.
Irã classifica novas sanções dos EUA como “declaração de guerra”
O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou as sanções econômicas mais recentes impostas por Washington como uma “declaração de guerra” contra todas as nações, representando, segundo o texto, “uma tentativa dos Estados Unidos de exercer soberania extraterritorial sobre todos os Estados-membros independentes da ONU”.
noticia por : UOL