Baterias gratuitas ajudam pequenos negócios de Nova York a economizar na conta de luz

No Café Mars, no Brooklyn, uma cozinha totalmente elétrica significa melhor qualidade do ar para os chefs que preparam ravióli de costela e cannolis de tofu, menos emissões de carbono —e uma conta de luz de US$ 4.000 (cerca de R$ 20.264).

“Nossa conta de eletricidade é absurda. E isso é difícil”, disse Paul D’Avino, proprietário e co-chef do restaurante italiano.

Por isso, neste verão, o restaurante de 45 lugares está usando seis baterias plug-in gratuitas fornecidas pela David Energy, uma startup fornecedora de energia.

As baterias permitem que a fornecedora de energia compre e armazene energia quando a demanda é baixa à noite e, em seguida, a libere durante o dia para evitar os preços de pico, economizando de 3% a 5% na conta mensal de empresas como o Café Mars.

“Estamos financiando a bateria antecipadamente e depois extraindo o valor dessa bateria no mercado de energia”, disse James McGinniss, CEO da David Energy. “E esse valor gerado é suficiente para dar um desconto aos nossos clientes, pagar os gastos de capital com a bateria e ainda deixar alguma margem para a David Energy.”

À medida que os preços da eletricidade disparam e os custos das baterias caem, um número crescente de fornecedores de energia e empresas de casas inteligentes, incluindo Tesla Inc., Sunrun Inc. e Base Power Inc., está criando esse tipo de rede para acessar as baterias de veículos elétricos ou baterias independentes dos clientes quando a oferta está apertada, lucrando com as oscilações nos preços da eletricidade.

Especialistas afirmam que a prática pode fortalecer a rede elétrica sem adicionar nova capacidade de transmissão.

“Tudo isso se torna possível porque as baterias ficaram muito mais baratas ao longo do tempo”, disse Allison Weis, diretora global de armazenamento da Wood Mackenzie.

Os preços da eletricidade subiram 6,1% em Nova York no ano passado, pressionando pequenos negócios com margens notoriamente apertadas. Diferentemente dos clientes residenciais, empresas como o Café Mars pagam pesadas tarifas de demanda —que representam quase metade da conta do restaurante— baseadas na maior quantidade de eletricidade usada em um único momento a cada mês, além de serem cobradas pelo total de energia consumida. A conta de luz do restaurante é uma de suas maiores despesas.

Mesmo pequenas diferenças entre a energia da rede e o que os consumidores estão consumindo podem fazer os preços dispararem, disse Yury Dvorkin, pesquisador de redes elétricas da Universidade Johns Hopkins. “O custo de uma bateria não é nada comparado a quanto dinheiro você pode ganhar com a arbitragem de preços”, acrescentou.

As redes de baterias, conhecidas como usinas virtuais, são frequentemente configuradas para que o intermediário possa vender energia de volta à rede quando os preços estão altos. Mas muitas dessas instalações enfrentam um longo processo de licenciamento do Corpo de Bombeiros de Nova York.

Para contornar isso, a David Energy fornece aos clientes baterias plug-in e não vende nenhuma energia de volta à rede. Em vez disso, armazena energia nas baterias de seus clientes quando os preços estão baixos e repassa parte da economia para eles. A empresa usa um software que prevê quando a demanda de energia atingirá o pico e pode automaticamente alternar uma empresa da energia da rede para as baterias, permitindo que os clientes evitem os preços mais altos.

“Essas são baterias que não precisam de permissão, por assim dizer, e essa é a mágica delas”, disse McGinniss.

Desde dezembro, a David Energy instalou quase 1.500 baterias em 150 empresas em toda a cidade e assinou contratos para implantar mais 2.000.

As baterias podem reduzir a dependência de usinas de pico movidas a combustíveis fósseis, que entram em operação quando a alta demanda de energia sobrecarrega a rede, disse Dvorkin.

Em Nova York, por exemplo, elas podem entrar em funcionamento em dias escaldantes de verão, quando os moradores ligam seus aparelhos de ar-condicionado no máximo.

Sob regulamentações ambientais estaduais, essas usinas de pico devem ser desativadas gradualmente, mas o New York Independent System Operator, a organização sem fins lucrativos que gerencia a rede do estado, tem continuamente estendido seu uso, citando riscos de apagões.

Ainda este ano, a David Energy também planeja começar a adquirir energia solar para seus clientes por meio de contratos de compra de energia e, eventualmente, possuir suas próprias fazendas solares.

“Nos próximos anos, achamos que poderemos suprir toda a nossa demanda de pico diurno com energia solar e baterias”, disse McGinniss.

A energia solar é a fonte de eletricidade mais barata, e a David Energy espera que isso traga mais economia para as empresas enquanto reduz as emissões. Por enquanto, a David Energy opera apenas em Nova York, mas McGinniss disse que a empresa planeja expandir para outros mercados metropolitanos no início do próximo ano.

As baterias no Café Mars, instaladas em meados de maio, reduziram US$ 104 do último pagamento mensal de eletricidade do restaurante. Ainda assim, disse D’Avino, no setor de restaurantes, mesmo economias modestas podem fazer diferença.

“Mesmo que seja 1% da nossa conta, é melhor do que 0%”, disse ele.

noticia por : UOL

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