Em mais uma noite de violência exacerbada na Guerra da Ucrânia, forças russas mataram nesta segunda-feira (6) ao menos 20 pessoas durante um ataque com drones e mísseis centrado em Kiev. O governo de Volodimir Zelenski, por sua vez, alvejou refinarias e deixou a Crimeia anexada no escuro.
A ação de Moscou veio após um dos maiores ataques da guerra iniciada por Vladimir Putin em fevereiro de 2022, quando 30 pessoas morreram na capital na quinta passada (2). O bombardeio ocorre às vésperas da reunião de cúpula anual da aliança militar Otan, que irá discutir mais ajuda à Ucrânia.
“Enquanto os mísseis [do sistema antiaéreo] Patriot ficarem nos arsenais de nossos aliados, a Rússia só será encorajada a continuar atacando prédios residenciais. Os Estados Unidos e a Europa têm força suficiente para parar esse terror”, disse Zelenski no X.
A queixa com os aliados reflete a situação em solo. Como é costume, as defesas ucranianas foram saturadas por drones suicidas no começo do ataque, tendo derrubado 326 dos 351 aparelhos lançados pelos russos. Foram abatidos também 37 dos 45 mísseis de cruzeiro disparados.
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Mas os 23 modelos balísticos, muito mais velozes e de difícil interceptação, atingiram diretamente seus alvos. Isso ocorreu “por falta de mísseis de defesa antiaérea”, disse o presidente.
Dos 20 mortos, 14 foram registrados na região central da capital e os outros no distrito periférico de Butcha, a noroeste. Segundo o governo local, ao menos 117 pessoas ficaram feridas.
Mantendo o padrão de escalada de lado a lado das últimas semanas, a Ucrânia lançou um mega-ataque com drones contra duas regiões russas, Leningrado e Iaroslav, mirando refinarias e terminais de exportação de petróleo cru e derivados.
Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, 613 drones foram abatidos. O comando ucraniano disse também ter atingido dois petroleiros no mar de Azov, parte do mar Negro sob controle russo.
O foco das ações de Kiev é o sistema energético do vizinho, que tem sido duramente afetado pelos bombardeios. A Rússia registra escassez de combustível em várias regiões do país e estuda importar gasolina e diesel para suprir a demanda doméstica.
Diversas áreas, como Krasnoiarsk e a Crimeia anexada, estão em estado de emergência e racionam combustível. Na península que Putin tomou da Ucrânia em 2014, um novo ataque nesta noite deixou boa parte das cidades sem energia, a começar pela autônoma Sebastopol, sede da Frota do Mar Negro da Rússia.
Em solo, as forças russas mantiveram nesta segunda a afirmação de que tomaram Konstaninovka, primeira cidade do chamado “cinturão das fortalezas” de Donetsk, que concentram a defesa dos 15% remanescentes da região do leste ucraniano ainda sob controle de Kiev.
A conquista estratégica havia sido anunciada por Putin na sexta (3), mas no dia seguinte Zelenski afirmou que suas forças ainda operavam na cidade e que a notícia era falsa.
Segundo analistas independentes, ainda é difícil especificar quem está falando a verdade, mas mesmo monitores ucranianos apontavam uma situação quase insustentável para os defensores na região.
É com esse clima que os 32 aliados da Otan se reunirão em Ancara, na Turquia, na terça (7) e na quarta (8). O presidente Donald Trump, que no sábado (4) falou ao telefone por mais de uma hora com Putin, deverá ter um encontro com Zelenski à parte.
Nesta segunda, o Kremlin disse que não teme mudança na orientação até aqui favorável à Rússia do americano. Segundo o porta-voz Dmitri Peskov, Trump “tem sido consistente” em sua atuação acerca do conflito.
Desde que assumiu no ano passado, o republicano retirou o apoio incondicional a Kiev, abriu negociações diretas com Putin e passou a conta da ajuda aos ucranianos aos aliados europeus. Nesta segunda, Trump disse que um acordo “está mais perto do que as pessoas imaginam” e que “Putin sente a pressão”.
Por outro lado, o mesmo Peskov havia dado uma declaração que causou surpresa nos meios diplomáticos no domingo. Ele acusou o Ocidente de tornar o que o Kremlin eufemisticamente chama de operação militar especial em “uma guerra de verdade”.
“Uma guerra está ocorrendo, isso é uma guerra de verdade. Você sabe por que isso é uma guerra? Porque tudo começou como uma operação militar especial. Está continuando como uma guerra porque Kiev é apoiada por Berlim, Paris, Haia, Oslo e, infelizmente, Washington” disse ao repórter Pavel Zarubin.
O próprio Peskov já havia enunciado tese semelhante e usado a palavra guerra em um artigo de 2024, mas a calibragem envolvendo o governo Trump é um desenvolvimento novo.
noticia por : UOL