Polícia da Itália apreende R$ 1,1 bilhão em investigação ligada à máfia


Quem foi Messina Denaro, ‘o último poderoso chefão’ da máfia italiana
A polícia financeira italiana informou nesta quinta-feira que apreendeu bens e empresas avaliados em mais de 200 milhões de euros, o equivalente a mais de R$ 1,1 bilhão, em uma investigação sobre a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas ligado ao falecido chefe da máfia Matteo Messina Denaro.
A operação encerrou uma investigação complexa que rastreou um vasto conjunto de ativos gerados pelo reinvestimento de lucros do tráfico de drogas acumulados desde a década de 1980 em diversos países europeus e não europeus.
“Acreditamos ter identificado uma parcela significativa dos investimentos feitos pela máfia, inclusive no exterior”, disse o procurador-chefe de Palermo, Maurizio de Lucia.
Messina Denaro foi preso em 2023 após passar 30 anos foragido por seu papel na guerra da máfia siciliana Cosa Nostra contra o Estado entre as décadas de 1980 e 1990, que incluiu o assassinato do procurador-geral Giovanni Falcone.
Apelidado de “U Siccu” (o magrelo), Messina Denaro morreu de câncer poucos meses após sua prisão, deixando aos promotores a tarefa de rastrear os lucros de seu império criminoso e aqueles que o ajudaram a escapar da justiça.
O chefe da máfia italiana Matteo Messina Denaro dentro de viatura policial após ser preso na Sicília, em 16 de janeiro de 2023.
Carabinieri via Reuters
Quem foi Messina Denaro
A crueldade com as vítimas era uma das principais características do chefe da máfia italiana Matteo Messina Denaro, condenado 20 vezes a prisão perpétua e que morreu nesta segunda-feira (25) enquanto tratava um câncer no cólon.
Apelidado pela imprensa italiana de “o último poderoso chefão”, Denaro é apontado pela Promotoria da Itália como um dos três principais chefes do Cosa Nostra, a maior organização criminosa da Europa e uma das maiores do mundo, servindo de inspiração para a história do filme “O Poderoso Chefão”.
Segundo as investigações, Denaro, de 61 anos, costumava torturar prisioneiros da máfia e se vangloriava de “encher um cemitério inteiro”. Em um dos casos, ele mandou matar com ácido o filho de um membro da Cosa Nostra que se arrependeu e deixou o grupo.
Embora oficialmente declarasse trabalhar no campo, Messina Denaro entrou na Cosa Nostra por conta de seu pai, que também foi um importante chefe da máfia na Sicília.
Ele assumiu a chefia do grupo ao substituir Salvator Riina, também conhecido como Totò Riina, que foi preso há exatos 30 anos e morreu na cadeira, em 2017. Na ocasião, a polícia também passou a procurar por Denaro, que entrou na clandestinidade.
Nesta foto tirada de um vídeo divulgado pelos Carabinieri italianos de 2023, o chefe da máfia Matteo Messina Denaro chega para tratamento em uma clínica particular em Palermo, Sicília, Itália, segunda-feira, 16 de janeiro de 2023, onde foi preso após 30 anos foragido.
Carabinieri via AP
O mafioso conseguiu se esconder por tanto tempo graças a uma forte rede de apoio da Cosa Nostra que inclui contratos de confidencialidade com outros mafiosos e seus parentes em uma espécie de “código de silêncio”.
Foi essa rede, segundo a Promotoria italiana, que garantia diferentes esconderijos a Denaro, além de lhe fornecer comida, roupas limpas e comunicação.
Messina Denaro tinha uma base de poder na cidade portuária de Trapani, no oeste da Sicília.
Atentados
Denaro é acusado de uma ser responsável direta ou indiretamente por uma série de assassinatos ao longo da década de 1990. Ele foi sentenciado a prisão perpétua por seu papel em ataques a bomba em Florença, Roma e Milão, que mataram dez pessoas.
O mafioso também é apontado pela Promotoria italiana como o autor de dois atentados a bomba na Sicília, em 1992. Nos atos, os principais promotores que investigavam a máfia à época, Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, foram mortos.
Ele também é acusado de ter ajudado a organizar o sequestro de Giuseppe di Matteo, de 12 anos, para fazer com que o pai do garoto não depusesse contra a máfia. O menino ficou nas mãos da máfia por dois anos e depois foi assassinado.
Messina Denaro foi preso no agosto passado em uma clínica particular em Palermo, na capital da Sicília, enquanto fazia um tratamento para melhorar do câncer.
De acordo com registros médicos vazados para a mídia italiana, ele foi submetido a uma cirurgia para câncer de cólon em 2020 e 2022 com nome falso.
Espera-se que seu corpo seja devolvido à Sicília nos próximos dias para um funeral privado, disse um funcionário do governo para a agência de notícias Reuters.
Matto Messina Denaro é preso na Sicília após 30 anos foragido
Carabinieri Military Police/via Reuters
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Fonte: G1

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