A China enviará na noite deste domingo (24) astronautas para a estação Tiangong e um deles passará um ano no espaço, o dobro do tempo de outras missões do país. A ideia é estudar o funcionamento do corpo humano em uma estadia de longa duração.
A nave Shenzhou-23 está programada para ser lançada às 23h08 (horário de Brasília). O foguete Long March-2F Y23 partirá do Centro de Lançamento de Jiuquan, no deserto de Gobi, com três astronautas.
A especialista de carga útil Li Jiaying, 43, ex-inspetora da polícia, será a primeira astronauta de Hong Kong a participar de uma missão espacial chinesa. Os outros membros da tripulação são o comandante Zhu Yangzhu, 39, e o piloto Zhang Yuanzhi, ambos da divisão de astronautas do Exército de Libertação Popular.
Um dos três astronautas deve permanecer na estação espacial Tiangong por um ano, uma das missões espaciais mais longas já realizadas, mas ainda abaixo do recorde de 14 meses e meio estabelecido por um cosmonauta russo em 1995.
Desde 2021, as missões Shenzhou transportam trios de astronautas para Tiangong, mas para estadias de seis meses. O astronauta que receberá a incumbência de cumprir a longa jornada mais longa será definido posteriormente, dependendo do andamento da missão, segundo a agência espacial da China.
Durante a Shenzhou-23, a ideia dos cientistas é estudar os efeitos fisiológicos da exposição à radiação, a perda de densidade óssea e o estresse psicológico no espaço.
Também está previsto que o voo da Shenzhou-23 execute o primeiro procedimento autônomo de aproximação e acoplamento rápido com o módulo central da Tiangong. Essa manobra é uma preparação para a futura missão à Lua, que depende de um encontro automatizado em órbita lunar entre a cápsula Mengzhou e o módulo de pouso Lanyue.
Corrida lunar
A China está em meio a uma corrida lunar com os Estados Unidos. Os americanos dizem que Pequim tem planos de colonizar o satélite natural da Terra e explorar seus recursos, o que os chineses negam.
A Nasa mira um pouso tripulado na Lua em 2028 na missão Artemis 4. Os EUA pretendem estabelecer uma presença lunar de longo prazo como trampolim para uma eventual viagem a Marte.
Em abril, quatro astronautas fizeram uma viagem histórica ao redor da Lua como parte da Artemis 2, a primeira missão lunar tripulada deste século.
Na sexta-feira (22), a SpaceX, de Elon Musk, concluiu um voo de teste da terceira versão do foguete Starship, do qual a Nasa depende para levar adiante seus planos lunares.
A China, por sua vez, espera colocar humanos na superfície lunar até 2030. Mas, para cumprir esse prazo, o país enfrenta o desafio de desenvolver hardware e software inteiramente novos específicos para a missão.
As missões robóticas à Lua e as sucessivas viagens a Tiangong sinalizam o avanço dos planos espaciais do gigante asiático nos últimos anos. Em junho de 2024, a China se tornou o primeiro país a recuperar amostras lunares do lado oculto.
Um pouso tripulado bem-sucedido antes de 2030 pode ser chave para o estabelecimento até 2035 de uma base na Lua, em parceria com a Rússia.
O cientista-chefe do programa lunar chinês, Wu Weiren, afirmou que o cronograma público de Pequim é intencionalmente conservador.
Ao longo do último ano, o país tem realizado testes de segurança de equipamentos desenvolvidos para a missão de 2030: o foguete Long March-10, a espaçonave Mengzhou e o módulo de pouso lunar Lanyue.
noticia por : UOL
