Presidente da FPF será ouvido em inquérito sobre lavagem de dinheiro após novos achados

O presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), Reinaldo Carneiro Bastos, será ouvido pela Polícia Civil de São Paulo no inquérito que apura suspeitas de evolução patrimonial incompatível e possível lavagem de dinheiro envolvendo o dirigente e seu núcleo familiar.

A oitiva foi determinada no âmbito das diligências conduzidas pelo DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania), que também convocará familiares e pessoas ligadas às empresas associadas ao cartola.

Segundo documentos da investigação, a apuração busca esclarecer o crescimento considerado “acelerado” do patrimônio de Bastos, com indícios de uso de estruturas empresariais para dar aparência de legalidade a recursos de origem ainda não comprovada. A própria FPF aparece como possível vítima do esquema.

A defesa de Bastos, representada pelo escritório Fernando José da Costa Advogados, nega irregularidades na situação patrimonial do dirigente e afirma por meio de nota que a notícia-crime que deu origem ao inquérito se baseia em “alegações infundadas e dissociada de qualquer embasamento documental”.

Diz também que Bastos prestará “declarações em sede policial e demonstrará documentalmente a inexistência de qualquer conduta irregular”. “Após, com a conclusão das investigações, irá requerer ao Ministério Público o arquivamento do inquérito policial”, afirma.

A polícia investiga se o dirigente e seu entorno passaram a operar por meio de uma rede de empresas —ao menos 32, de acordo com o inquérito— com alterações societárias frequentes e participação de parentes próximos. A hipótese é que holdings familiares e sócios formais tenham sido utilizados para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.

Um dos principais pontos sob análise é a venda, em 2021, da participação de Bastos na empresa Miclean Comércio e Serviços Ltda. A operação foi registrada em cerca de R$ 15,5 milhões. Parte relevante do valor — aproximadamente R$ 11,5 milhões — teria sido paga “em espécie”, segundo a investigação, o que, para a polícia, configura uma circunstância atípica e com potencial de ocultação de recursos.

A defesa contesta essa versão e afirma que pagamentos em moeda corrente são comuns no meio empresarial. Em manifestações anteriores, o grupo ligado à empresa sustentou que as transações foram realizadas por transferência bancária e devidamente registradas.

O inquérito também cita a utilização do mercado imobiliário como possível etapa final do processo de lavagem, com aquisição de imóveis —principalmente em Taubaté, reduto político e empresarial do dirigente— para integrar recursos à economia formal.

Outro elemento novo incorporado à investigação é a atuação da Miclean em contratos com o São Paulo Futebol Clube. Em março deste ano, o clube entrou com uma ação judicial contra a Miclean exigindo multa de R$ 1 milhão e rescisão contratual por justa causa, acusando a prestadora de descumprimento do contrato, prejuízos milionários e má-fé. O episódio passou a ser considerado no contexto mais amplo da apuração patrimonial mesmo com Bastos afastado da empresa há quase cinco anos.

Há ainda menção à criação de uma sociedade de propósito específico, a SPE Maice Empreendimentos Ltda., que teria reunido familiares de Bastos em operações imobiliárias. Para os investigadores, o modelo pode indicar tentativa de centralizar ativos e reorganizar patrimônio.

Nos despachos mais recentes, a autoridade policial afirma que os elementos colhidos até agora “demonstram indícios” de um possível padrão de ocultação patrimonial, mas ressalta que a apuração ainda está em curso. Novas diligências incluem análise de documentos fiscais, levantamento detalhado de imóveis e quebras de vínculos societários, além das oitivas.

A polícia também pediu dilação de prazo para aprofundar as investigações.

com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS


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noticia por : UOL

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