Família e propriedade
Para um auxiliar de Lula, o processo de ocupação do Centro-Oeste também ajuda a explicar a cultura e o voto na região: fazendeiros que ampliaram seus latifúndios por meio da apropriação de terras e pelo uso de armas na defesa da família e da propriedade. Segundo ele, historicamente são esses grupos que criticam a ampliação do combate ao trabalho análogo à escravidão.
Outro aliado de Lula diz que esses grupos tiveram em Jair Bolsonaro uma base de apoio moral e conceitual ao pregar a violência contra o MST e a combater a agenda ambiental, cujo rosto do terceiro mandato do petista foi o de Marina Silva. A ex-ministra do Meio Ambiente é vista como um símbolo das pautas que parte do agronegócio ataca.
O cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest e autor do livro “Brasil no Espelho”, diz que o eleitorado que se identifica com o agronegócio corresponde a 13% dos votantes, tem uma cultura homogênea e, “mais do que um voto contra o Lula, deposita um voto contra a cultura de esquerda, que eles abominam”.
“São tradicionais no que diz respeito à família, muito ligados à terra, à música sertaneja, à religião. São pessoas que têm orgulho de estar ligadas a uma cultura que ganhou força econômica e busca importância política. Consomem um tipo de carro (as caminhonetes), um tipo de roupa (o jeans, a botina e o chapéu) e um tipo de comida (tropeiro, carne e cerveja) muito particulares. E tudo isso junto cria neles um habitus próprio, muito distante do que enxergam em Lula e no projeto do PT.”
*A coluna viajou a convite da Norte Show
noticia por : UOL
