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O documento serve como base para a agenda de política tarifária de Trump.
DO REPÓRTERMT
O governo dos Estados Unidos publicou, nesta quarta-feira (1º), um relatório detalhado sobre as relações comerciais com parceiros externos, no qual dedica críticas severas à política econômica brasileira.
No documento, a gestão de Donald Trump aponta que medidas como a tributação sobre importações de pequeno valor (conhecida como “taxa das blusinhas”), o sistema Pix e as tarifas do Mercosul (Mercado Comum do Sul) funcionam como barreiras que dificultam a entrada de produtos e serviços norte-americanos no país.
O relatório destaca o que considera um caráter “protetivo” do Brasil, mencionando alíquotas elevadas para setores de tecnologia, automóveis, aço e têxteis.
Um dos pontos centrais da crítica é a regulamentação sancionada em 2024, que estabeleceu imposto de 20% para compras internacionais de até US$ 50. Para o governo dos EUA, o modelo de tributação brasileiro, que pode chegar a 60% em remessas maiores, limita o comércio e gera insegurança para os exportadores.
Sistema de pagamentos e Mercosul
O Pix, criado pelo Banco Central (BC), também entrou no radar de Washington. A Casa Branca manifestou preocupação com o fato de a autarquia brasileira atuar simultaneamente como operadora e reguladora do sistema, o que, na visão norte-americana, confere um “tratamento preferencial” que prejudica fornecedores de serviços de pagamento eletrônico dos Estados Unidos.
O documento sugere que o Pix pode estar envolvido em “práticas desleais” por favorecer soluções governamentais em detrimento do setor privado estrangeiro.
Além disso, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) criticou a falta de previsibilidade nas taxas alfandegárias do Mercosul.
Segundo o relatório, as frequentes modificações tarifárias permitidas dentro das flexibilidades do bloco econômico (formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) impedem que empresas americanas projetem custos com precisão, elevando o risco de fazer negócios na região.
O documento serve como base para a agenda de política tarifária de Trump, que já iniciou investigações sobre supostas práticas desleais do Brasil.
FONTE : ReporterMT

