Justiça de São Paulo aceita plano de recuperação extrajudicial da Raízen

A Justiça de São Paulo deferiu o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, gigante na produção de açúcar e álcool e na distribuição de combustíveis. A companhia, uma joint venture de Cosan e Shell, agora tem autorização para elaborar um plano de renegociação de R$ 65 bilhões em dívidas com bancos e investidores.

O pedido foi analisado e aceito pelo juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo. O plano de renegociação das dívidas da companhia deve ser apresentado em até 180 dias corridos, segundo a decisão do magistrado.

Após a apresentação do plano, os credores da Raízen terão até 30 dias para contestar ou impugnar a proposta da empresa. Nesse período de negociação, os pagamentos de dívidas abrangidos pela recuperação ficam suspensos.

Bradesco, Santander e BNP Paribas estão entre os maiores credores da Raízen. Documentos divulgados pela companhia mostraram que o francês BNP tem a receber R$ 4,2 bilhões, uma fração significativa do passivo.

Os bancos Bradesco, Santander, Rabobank e Sumitomo Mitsui têm cerca de R$ 2 bilhões cada um a receber, enquanto o Itaú Unibanco tem exposição de mais de R$ 1 bilhão à empresa.

Com o pedido protocolado na última terça-feira (10), a Raízen passou a ocupar o posto de maior recuperação extrajudicial da história do Brasil, superando o pedido do Grupo InterCement, com um endividamento estimado em R$ 21,9 bilhões, em valores da época.

Maior produtora de cana-de-açúcar do mundo e a segunda maior distribuidora de combustíveis do país, a Raízen culpou as elevadas taxas de juros no Brasil e a situação econômica da Argentina pela crise financeira que a levou a buscar a renegociação de suas dívidas.

Mas o volume de investimentos para desenvolver o etanol de segunda geração e os aportes na rede varejista Oxxo, em parceria com a mexicana Femsa, também foram fatores importantes para a crise vivida pela empresa.

noticia por : UOL

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