Operação mira núcleo do Comando Vermelho na região de Rio Claro, interior de SP, onde há disputa com o PCC

Uma operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) mira nesta quarta-feira (11) integrantes do Comando Vermelho que atuam na região de Rio Claro, no interior de São Paulo.

Chamada de Linea Rubra, a ação é realizada conjuntamente com a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Rio Claro e conta com apoio da Secretaria estadual da Fazenda de São Paulo.

A decisão que autorizou a operação desta quarta-feira determinou ainda o sequestro de até R$ 33 milhões em contas bancárias dos investigados, medida que se estende a 12 imóveis e 103 veículos, além do bloqueio de 35 CPFs e CNPJs.

A Justiça também expediu 19 mandados de prisão preventiva, 5 dos quais haviam sido cumpridos até a manhã desta quarta, e 26 mandados de busca e apreensão em endereços nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As identidades não foram divulgadas, o que impossibilitou o contato com a defesa.

Segundo o Gaeco, a investigação mira a estrutura logística, financeira e operacional da facção criminosa no interior paulista. O grupo estaria envolvido em operações como o tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e homicídios.

A operação desta quarta-feira, de acordo com o MP-SP, vem na esteira do aumento de crimes violentos na região de Rio Claro ante disputas territoriais travadas entre o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Um dos envolvidos é Leonardo Felipe Calixto, conhecido como “Bode” e liderança do CV na região, de acordo com as investigações.

Calixto seria responsável pela coordenação e distribuição de drogas em larga escala e pelo controle das finanças milionárias ligadas à facção. Segundo o MP-SP, cabe a ele também autorizar execuções de rivais.

Ele está foragido, disse o Gaeco, e escondido ao lado de seu braço-direito em comunidades do Rio de Janeiro comandadas pelo Comando Vermelho. A Folha ligou e enviou mensagem a um advogado que defende Calixto num processo anterior. Ele disse que retornaria o telefonema, o que não ocorreu até a publicação deste texto.

As investigações apontam para o uso de “carros-cofre” com fundos falsos destinados ao transporte de drogas. A apuração fala também em empresas de fachada e no uso de laranjas para lavar dinheiro. A movimentação mensal do grupo chega a superar R$ 1,19 milhão, segundo o MP-SP.

Entre as empresas que integrariam o fluxo financeiro estão consultorias e construtoras, num núcleo que, de acordo com o Ministério Público, “envolve familiares, terceiros de confiança e empresários do mercado formal”.

Ao todo, a Linea Rubra mobilizou 120 policiais, três promotores, 41 viaturas e quatro auditores da Secretaria da Fazenda do estado. Contou também com o serviço aerotático da Polícia Civil, unidade de elite da corporação.

A operação, diz o Gaeco, “representa o marco de atuação das instituições estaduais no estabelecimento de um limite institucional ao avanço territorial da organização criminosa no estado de São Paulo”.

noticia por : UOL

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