O presidente Vladimir Putin recebeu uma delegação de negociadores americanos na noite de quinta-feira (22) no Kremlin, tendo no cardápio a inédita cúpula entre EUA, Rússia e Ucrânia nos Emirados Árabes Unidos, a crise em torno da Groenlândia e o Conselho de Paz criado mais cedo por Donald Trump na Suíça.
Segundo o assessor presidencial russo Iuri Uchakov, o único a falar um pouco sobre o que chamou de reunião “importante e confidencial”, a reunião entre os rivais e os EUA nesta sexta (23) e sábado (24) seá dividida em grupos.
Um deles irá debater os temas pendentes na área de segurança, como a questão da neutralidade ucraniana ou as garantias de que a Rússia não irá invadir novamente o vizinho após um acordo de paz, e outro focará aspectos econômicos do pós-guerra. Uchakov não detalhou nada.
Ele participou do encontro ao lado do chefe e do negociador Kirill Dmitriev. Da parte americana estavam os usuais interlocutores do Kremlin, o enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump Jared Kushner, que trabalha como um embaixador informal dos interesses empresariais do sogro.
Com eles havia um novato em Moscou, Josh Gruenbaum, recém-indicado para ser um dos coordenadores do Conselho da Paz criado nesta quinta por Trump para a reconstrução da Faixa de Gaza e para outros conflitos, visando tirar poder da ONU.
Putin havia sido convidado pelo americano para integrar o polêmico ente de modo permanente, mas quer pagar a entrada de US$ 1 bilhão com dinheiro russo congelado nos EUA. “Esse é o Josh”, disse Witkoff ao apresentá-lo ao russo. Gruenbaum só havia participado de conversas sobre Ucrânia em Miami, no ano passado.
Não foi revelado se o arranjo com os recursos imobilizados foi em frente, embora Trump tenha se mostrado favorável a ele. Uchakov falou por volta das 4h30 na hora de Moscou (22h30 em Brasília), e brevemente. Dmitriev apenas postou no X que o encontro havia sido “importante”.
De todo modo, é curioso que tenha transparecido o interesse de Putin no caso da dinamarquesa Groenlândia, ilha que provocou uma grande rixa entre Trump, que a quer, e os aliados europeus. Uma negociação agora foi aberta sobre o tema.
Os três americanos chegaram tarde da noite a Moscou, vindos de Davos, pousando por volta das 22h20 (16h20 em Brasília) no aeroporto de Vnukovo e seguindo de comboio até o Kremlin, onde chegaram às 23h (17h), iniciando as conversas 25 minutos depois. Foi a sétima reunião de Witkoff com Putin desde a volta de Trump ao poder, há um ano.
As reuniões nos Emirados Árabes Unidos haviam sido anunciadas pelo presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, que encontrou-se com Trump em Davos, onde o americano participava do Fórum Econômico Mundial. A trinca voou diretamente para lá após encontrrar Putin.
Trump, que havia dito que o ucraniano era o principal empecilho para um acordo de paz, buscou pressionar o colega russo mais cedo na Suíça. “O encontro foi muito bom. A mensagem para Putin é: a guerra tem de acabar”, disse.
A atual rodada de negociações é a terceira tentada por Trump. Antes do evento no Kremlin, Witkoff e Kushner haviam se reunido com ucranianos e com Dmitriev em Davos.
Eles debateram a proposta de paz de Trump, que surgiu partir de um texto desenhado por Witkoff e Dmitriev francamente favorável a Putin.
No centro das demandas, colocadas no papel pela Rússia em junho do ano passado, está a tomada dos territórios que anexou ilegalmente em 2022 mas ainda não controla totalmente e a neutralidade total da Ucrânia.
Zelenski e aliados europeus revisaram a proposta para tentar equilibrar o jogo, e a dupla americana foi a Putin no começo de dezembro, só para ouvir por cinco horas que ele não cederia. Mais conversas ocorreram do lado ocidental e chegou-se ao novo texto, que está inconcluso: Zelenski diz que não há acordo sobre cessões territoriais.
Já o russo havia deixado claro rejeitar a inclusão da propost ade criação de uma força de paz europeia, apoiada pelos EUA, para monitorar o eventual cessar-fogo.
noticia por : UOL
