Nilson Waldir Müller ficou conhecido no Paraná por sua releitura do palhaço Zequinha, personagem que cativou pais e filhos na década de 1980. Em figurinhas de álbuns educativos, o ilustrador usava humor para divulgar arte e cultura locais. Ele mostrava lugares, profissões e tradições com traços criativos.
Seu personagem ilustrou, com sucesso, campanhas do governo estadual em 1979 e 1980. Também fez um álbum de figurinhas que fez sucesso no país.
Müller também produziu cartazes para teatro infantil, ilustrou livros premiados e foi co-criador de O Gralha, personagem curitibano de histórias em quadrinhos.
Fez ainda sucesso com campanhas publicitárias para marcas famosas de veículos, cosméticos e supermercados. Aos 16 anos, foi um dos primeiros cenógrafos de TV no Paraná.
Em Curitiba, onde nasceu, há uma sala com seu nome na Gibiteca, onde promovia cursos e “contribuía ativamente para o desenvolvimento da arte dos quadrinhos”, publicou a Fundação Cultural de Curitiba.
O talento de Müller foi apreciado desde cedo por nomes famosos, como Guido Viaro, pintor italiano radicado em Curitiba, que foi seu professor na juventude.
Müller deu aulas e inspirou outros jovens. Autodidata, conquistou a admiração de nomes importantes do setor, como Mauricio de Sousa, da Turma da Mônica, e Joe Kubert, ilustrador de quadrinhos da DC Comics.
A convite de Kubert, Müller foi para os Estados Unidos, onde também recebeu proposta da Marvel. Porém, decidiu voltar para a família.
“Desenhava todos os dias, o dia todo, inclusive aos fins de semana e feriados. Era incansável. Foi assim até há pouquíssimo tempo. O desenho era tudo para ele, que estudava novas técnicas digitais”, conta o filho Nilson Müller Junior.
Ele lembra que o pai também era apaixonado pelo mar e por línguas estrangeiras, estudando diariamente alemão, francês e italiano. Em casa, era uma criança crescida. “Sem malícia, sem maldade, coração enorme, pura generosidade.”
A filha, Nycia Müller, recorda que o pai não gostava de contrariar ninguém e fugia dos conflitos, mas sempre disposto a interromper o que estava fazendo para dar atenção. Sabia ouvir e sabia o que falar, sempre muito carinhoso com a família. “Beijos sempre foram distribuídos sem limites entre todos. A marca registrada dele, ao cumprimentar, eram quatro beijinhos.”
Chamado de paizinho e de vovô, era conhecido pela integridade e pelo afeto. Nas festas, era o mais animado e dançava com todos.
“Deixava um rastro de alegria. Sempre animado, brincalhão, com sorriso fácil e uma presença que iluminava”, afirma a sobrinha Juliana Zelleroff. “Gostava de estar junto, de viver as pessoas, de compartilhar o tempo. Uma pessoa maravilhosa.”
Nilson Waldir Müller morreu no último dia 5, aos 84 anos, de câncer no fígado. Deixa a esposa, uma irmã, dois filhos, três netos e seu nome na arte paranaense.
noticia por : UOL
