Líder da oposição na Venezuela e vencedora do Nobel da Paz, María Corina Machado escreveu em uma carta publicada neste sábado (3) que o ditador Nicolás Maduro enfrentará justiça “pelos crimes atrozes cometidos contra os venezuelanos”. Ela também defendeu que Edmundo González assuma o poder de forma imediata.
González foi o candidato de oposição que, segundo organizações internacionais, foi o verdadeiro vencedor da eleição presidencial de 2024. “Estamos preparados para fazer valer nosso mandato e tomar o poder”, escreveu ela horas após a captura de Maduro e o ataque de Donald Trump contra o país.
“Nicolás Maduro, a partir de hoje, enfrenta a justiça internacional pelos crimes atrozes cometidos contra os venezuelanos e contra cidadãos de muitas outras nações. Diante de sua negativa em aceitar uma saída negociada, o governo dos EUA cumpriu sua promessa de fazer valer a lei”, escreveu ainda.
“Vamos colocar ordem, libertar os presos políticos, construir um país excepcional e trazer nossos filhos de volta para casa. Lutamos por anos, entregamos tudo, e valeu a pena. O que tinha que acontecer está acontecendo”, acrescentou María Corina.
O presidente americano, por sua vez, parece não ter pressa. Em pronunciamento à nação, Trump afirmou que os EUA governarão a Venezuela “até que haja uma transição adequada e justa”. Segundo ele, o petróleo venezuelano será explorado por empresas americanas e “voltará a fluir” com uma petroleira dos EUA à frente das operações e da infraestrutura do país.
O pronunciamento ocorreu após as falas da opositora venezuelana. Trump manifestou dúvidas sobre a possibilidade de María Corina assumir o governo do país. “Seria muito difícil para ela, que não tem o suporte ou respeito do povo. Ela é uma mulher muito legal, mas não tem o respeito.”
O presidente disse ainda que, se necessário, enviará militares a solo venezuelano para garantir o controle dos EUA. Ao mesmo tempo, afirmou estar negociando com Delcy Rodríguez, a vice de Maduro, sobre os próximos passos.
EUA x Venezuela
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Após o ataque deste sábado, Edmundo González afirmou que o país sul-americano vive o que chamou de “horas decisivas”. “Venezuelanos, são horas decisivas, saibam que estamos prontos para a grande operação de reconstrução da nossa nação”, escreveu em mensagem na plataforma X.
María Corina, que no fim do ano passado saiu de seu esconderijo na Venezuela para ir a Oslo para a entrega do Nobel, disse que “chegou a hora da liberdade”. Ela também instou os venezuelanos que permaneçam “vigilantes, ativos e organizados até que se concretize a transição democrática”.
O paradeiro de María Corina é incerto, mas acredita-se que ainda esteja na Noruega, onde viajou para receber o Nobel da Paz de 2025. Já González está exilado na Espanha.
O líder opositor Juan Guaidó, que chegou a ser reconhecido pelos EUA, alguns países europeus e pelo Brasil de Jair Bolsonaro (PL) como presidente da Venezuela, disse neste sábado que a captura de Maduro representa o fim da impunidade. “A Justiça importa, e a democracia vem”, afirmou.
Trump disse que Maduro e a esposa, a poderosa Cilia Flores, estão sendo levados a Nova York para serem julgados por narcoterrorismo e crimes relacionados ao tráfico de drogas.
O país sul-americano havia afirmado mais cedo que sofrera uma “agressão militar” dos Estados Unidos após múltiplas explosões atingirem a capital, Caracas, e outras regiões do país durante a madrugada. Diante da situação, o país declarou estado de emergência.
Segundo comunicado do regime venezuelano, ataques também ocorreram nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. As Forças Armadas do país foram mobilizadas.
Leia, abaixo, a íntegra da carta publicada por María Corina :
“Nicolás Maduro, a partir de hoje, enfrenta a justiça internacional pelos crimes atrozes cometidos contra os venezuelanos e contra cidadãos de muitas outras nações. Diante de sua negativa em aceitar uma saída negociada, o governo dos Estados Unidos cumpriu sua promessa de fazer valer a lei.
Chegou a hora de a Soberania Popular e a Soberania Nacional prevalecerem em nosso país. Vamos colocar ordem, libertar os presos políticos, construir um país excepcional e trazer nossos filhos de volta para casa.
Lutamos por anos, entregamos tudo, e valeu a pena. O que tinha que acontecer está acontecendo.
Esta é a hora dos cidadãos. Dos que arriscamos tudo pela democracia em 28 de julho. Dos que elegemos Edmundo González Urrutia como legítimo presidente da Venezuela, que deve assumir imediatamente como Comandante em Chefe da nação. Estamos preparados para fazer valer nosso mandato e tomar o poder. Permaneçamos vigilantes, ativos e organizados até que se concretize a transição democrática. Uma transição que precisa de todos nós.
Aos venezuelanos que estão dentro do nosso país, estejam prontos para colocar em marcha o que, no momento oportuno, comunicaremos por meio de nossos canais oficiais.
Aos venezuelanos que estão no exterior, precisamos que estejam mobilizados, acionando os governos e os cidadãos do mundo e comprometendo-os desde já com a grande operação de construção da nova Venezuela.
Nestas horas decisivas, recebam toda a minha força, minha confiança e meu carinho. Seguimos todos atentos e em contato.
A Venezuela será livre!
Vamos de mãos dadas com Deus, até o final.”
noticia por : UOL
