Museu em antiga estação ferroviária conta a saga do carvão em SC

Inaugurada há 141 anos, em setembro de 1884, a estação ferroviária de Lauro Müller, em Santa Catarina, hoje conta a história da exploração de carvão mineral em municípios da região.

As jazidas carboníferas em solo catarinense foram descobertas em 1841 e, 20 anos depois, o governo fez contrato com o Visconde de Taunay para a lavra do carvão mineral.

A descoberta é atribuída aos tropeiros que percorriam caminhos entre o planalto e o litoral catarinense em suas tropas e cargas. Foi nesse cenário que, em 1874, o governo de Dom Pedro 2º concedeu aos ingleses a concessão para a construção da Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina, inaugurada 11 anos depois.

Ela, prioritariamente, transportava o carvão, mas também foi utilizada em sua trajetória no transporte de passageiros e para o escoamento de produtos coloniais.

Anteriormente chamada de Minas —por motivo óbvio—, a estação passou a ser denominada Lauro Müller em 1905, para homenagear o então ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas, Lauro Severiano Müller, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Lauro Müller tem estimados 14.628 habitantes, e foi transformada em município somente em 1956, quando houve o desmembramento de Orleans, com instalação no ano seguinte.

O prédio atual, que não é o originalmente construído no século 19, hoje abriga o espaço histórico-cultural Manoel Martinho Fortunato.

Ele chegou a funcionar como lanchonete, mas foi restaurado em 2016 e hoje exibe trilhos, peças de trens e conta a história do desenvolvimento econômico na cidade e na região.

O museu abriga uma exposição permanente de objetos históricos para o município, especialmente ligados à memória ferroviária e à exploração de carvão.

Entre as histórias narradas na exposição está a forte enchente que atingiu a Dona Tereza Cristina em 1974, que devastou as margens do rio Tubarão, da nascente até sua foz. Ela destruiu parcialmente a cidade de Tubarão e todo o ramal ferroviário que atendia o trecho entre Lauro Müller e Orleans.

Os trens de passageiros não passam na cidade já desde a década de 1970.

CONSTRUÇÃO RÁPIDA, TRAJETÓRIA CURTA

A ferrovia foi construída em quatro anos, entre 1880 e 1884, com uma linha tronco (principal) de 118 quilômetros, ligando Imbituba a Lauro Müller, além de um ramal de 7 quilômetros.

Como ocorreu com outras companhias ferroviárias do passado, a empresa que administrava a ferrovia não prosperou e o governo federal encampou a concessão apenas 18 anos após a inauguração.

A sede deixou Imbituba e passou a ser em Tubarão em 1906. Depois de ter sido arrendada para uma outra companhia, ela retornou ao governo federal e, em 1957, foi incorporada à já extinta RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A).

Desde 1997, a malha ferroviária sul catarinense é operada pela Ferrovia Tereza Cristina, com 164 quilômetros de extensão e cruzando 14 municípios.


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noticia por : UOL

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